DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA

Justiça Federal multa Prefeitura de Belém em R$ 500 mil por remoções irregulares

Vista da Praça Dom Pedro II em Belém.
Praça Dom Pedro II, em Belém, local onde foram registradas ações de remoção compulsória.

Decisão judicial aponta descumprimento de ordens que proibiam a retirada forçada de pessoas em situação de rua, impactando a dignidade de vulneráveis na capital.

A Justiça Federal impôs uma multa de R$ 500 mil à Prefeitura de Belém pelo descumprimento de determinações judiciais voltadas à proteção e ao acolhimento de pessoas em situação de rua. A medida, que ainda admite recurso, visa conter a prática de remoções compulsórias que violam direitos fundamentais básicos dos cidadãos que utilizam espaços públicos como abrigo.

Em fevereiro deste ano, a administração municipal protagonizou episódios de desamparo na Praça Dom Pedro II. Conforme apurado pela Justiça, guardas municipais e equipes de limpeza urbana realizaram o desmonte de acampamentos e o confisco de pertences pessoais sem qualquer aviso prévio, ignorando ordens judiciais vigentes que proibiam tais ações. O impacto dessas medidas é severo, pois a retirada forçada de itens essenciais fragiliza ainda mais a saúde e a sobrevivência de indivíduos já em extrema vulnerabilidade social.

O magistrado aplicou uma multa de R$ 50 mil, calculada sobre a estimativa de 10 pessoas atingidas pela operação, além de um montante adicional de R$ 50 mil por desrespeito ao Poder Judiciário. Para prevenir reincidências, a sentença estabeleceu uma penalidade de R$ 10 mil por cada nova pessoa que venha a ser afetada por futuras ações de despejo forçado.

A decisão atende a uma frente conjunta composta pelo Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), Defensoria Pública da União (DPU) e Defensoria Pública do Estado (DPPA). Além das sanções, a Justiça determinou que o Estado do Pará e a União intensifiquem o repasse de verbas para o fortalecimento das políticas de assistência social na capital. A Prefeitura de Belém foi procurada pela CNN Brasil, mas ainda não apresentou manifestação sobre o caso.

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