ESCÂNDALO POLÍTICO
STF mira aliado de Ciro Nogueira em fraude de R$ 52 BILHÕES
Ex-secretário da Casa Civil teria recebido R$ 1,3 milhão de grupo Refit em esquema de lavagem. A decisão judicial do STF busca desmantelar a rede de sonegação que prejudicou os cofres públicos.
O Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deflagrou nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, a Operação Sem Refino. A complexa ação judicial revelou que Jonathas Assunção Salvador Nery Castro, que atuou como secretário-executivo da Casa Civil na gestão de Jair Bolsonaro e era considerado o número dois de Ciro Nogueira, teria recebido R$ 1,3 milhão de empresas ligadas ao grupo Refit. O motivo da operação é a investigação de um esquema sofisticado de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, supostamente liderado pelo empresário Ricardo Magro, que já causou um prejuízo estimado em R$ 52 bilhões aos cofres públicos. A gravidade dessas acusações impacta diretamente a dignidade da sociedade brasileira, que vê seus recursos desviados e sua confiança nas instituições abalada, comprometendo investimentos essenciais em áreas como saúde e educação.
De acordo com a Polícia Federal (PF), Jonathas Assunção Salvador Nery Castro é citado por movimentações financeiras atípicas envolvendo a Sary Consultoria e Participações LTDA, empresa na qual ele detém 100% de participação societária. A investigação aponta que, entre 17 e 31 de março de 2025, a conta da Sary recebeu R$ 765.698,09 diretamente da Refit, além de outros valores expressivos de empresas do mesmo conglomerado: R$ 382.849,04 da ROAR INOVAÇÃO, R$ 320.263,13 da FERA LUBRIFICANTES e R$ 62.585,89 da FLAGLER. No total, a consultoria de Jonathas movimentou R$ 1.320.000,00 apenas no mês de março de 2025.
A PF caracteriza a Sary como uma "empresa de passagem", pois os valores creditados eram rapidamente transferidos para a conta pessoal de Jonathas, sem que a empresa apresentasse despesas operacionais como folha de pagamento de funcionários ou uma estrutura administrativa relevante. Esse modus operandi sugere uma utilização da empresa para ocultar a origem e o destino do dinheiro.
No cerne da Operação Sem Refino está Ricardo Magro, controlador do Grupo Refit e apontado como um dos maiores fraudadores de impostos do Brasil. O Supremo Tribunal Federal (STF) decretou a prisão preventiva do empresário e solicitou a inclusão de seu nome na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo internacional para captura de foragidos. Magro vive há mais de dez anos em Miami, nos Estados Unidos, e não retorna oficialmente ao Brasil desde 2018.
A Operação Sem Refino também cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do ex-governador do RJ, Cláudio Castro, e na sede da refinaria, localizada em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026.
O documento investigativo descreve Ricardo Magro como líder de uma organização criminosa que arquitetou um esquema complexo para sonegar impostos, lavar dinheiro e ocultar patrimônio tanto no Brasil quanto no exterior. A fraude envolveria a utilização de empresas de fachada, fundos de investimento, holdings e offshores em paraísos fiscais. Além disso, a investigação aponta para a cooptação de agentes públicos para garantir benefícios fiscais e decisões judiciais favoráveis, exacerbando o dano ao erário público.
O grupo é acusado de ter causado um prejuízo superior a R$ 52 bilhões aos cofres públicos, principalmente por meio da sonegação de ICMS nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. O esquema teria atuado junto a órgãos como a Secretaria de Fazenda do RJ, ANP, Receita Federal, Procuradoria do Estado e até mesmo membros do Judiciário para obter vantagens indevidas e barrar concorrentes no mercado.
A Polícia Federal (PF) detalha que parte dos lucros ilícitos era enviada para o exterior, especialmente para empresas e fundos em Delaware (EUA), Bahamas, Malta e outros paraísos fiscais. Esse dinheiro retornava ao Brasil disfarçado de investimentos ou era empregado na aquisição de imóveis e ativos, blindados contra futuras execuções judiciais, dificultando a recuperação dos bens pela justiça. O pedido à Interpol visa permitir a prisão de Ricardo Magro em qualquer país membro e sua posterior extradição para o Brasil, a fim de que ele responda pelas graves acusações.
Ricardo Magro, de 51 anos, é uma figura controversa no mercado de combustíveis. Advogado e empresário, ele comanda a antiga Refinaria de Manguinhos, hoje Refit, que coleciona investigações tributárias e disputas judiciais. Paulistano, Magro ganhou notoriedade no Rio de Janeiro, mas reside em Miami, nos Estados Unidos, desde 2016. Formado em Direito pela Universidade Paulista (Unip), com pós-graduação em direito tributário, ele assumiu o comando do grupo Refit em 2008.
Apesar do histórico de embates com o fisco, Magro defende-se, afirmando que o rótulo de “maior devedor de ICMS do país” é fruto de uma suposta perseguição institucional, orquestrada por grandes empresas do setor. Em uma entrevista concedida à “Folha de S.Paulo” em setembro, ele chegou a acusar a Cosan, proprietária da Shell no Brasil, e o Instituto Combustível Legal (ICL) de fazerem campanha contra ele, além de alegar ser alvo de perseguição e ameaças do PCC.
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