PODER JUDICIÁRIO

STF mantém prisão de influenciadora ligada ao PCC

Foto de Deolane Bezerra, influenciadora.
Influenciadora Deolane Bezerra teve prisão preventiva mantida pelo STF.

Ministro Flávio Dino negou pedido de liberdade para Deolane Bezerra. Influenciadora é suspeita de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu manter a prisão preventiva da influenciadora Deolane Bezerra. A decisão, publicada nesta semana, contesta o pedido de liberdade apresentado pela defesa, que buscava a revogação da detenção ou a substituição por medidas cautelares menos restritivas. A influenciadora está detida sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A medida cautelar foi mantida após Dino analisar o caso e não identificar qualquer ilegalidade na prisão decretada pela Justiça de São Paulo, considerando a ação de "manifesta legalidade".

Investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo apontam que a estrutura empresarial vinculada a Deolane Bezerra teria servido como um canal para ocultar recursos de origem ilícita e realizar movimentações financeiras consideradas suspeitas. Relatórios policiais citam publicações da influenciadora em redes sociais, onde ela exibe artigos de luxo, realiza viagens internacionais e participa de eventos, como um evento promovido pelo jogador Neymar em Santos, no ano passado, no qual teria doado R$ 200 mil para um instituto voltado a ações sociais.

Segundo os investigadores, a ostentação pública de patrimônio pode ter sido utilizada para conferir uma aparência de licitude a recursos cuja origem não é comprovada. As apurações também indicam movimentações financeiras incompatíveis com os rendimentos declarados oficialmente. Entre 2018 e 2021, Deolane Bezerra teria recebido R$ 1.067.505 em depósitos fracionados, cada um abaixo de R$ 10 mil. Essa prática, conhecida como "smurfing", é utilizada para dificultar o rastreamento bancário. Aproximadamente 50 depósitos em empresas ligadas à influenciadora totalizaram R$ 716 mil, sem que contratos ou documentos comprovassem a justificativa desses valores.

A defesa de Deolane Bezerra manifestou considerar as medidas determinadas pela Justiça como "desproporcionais" e reiterou a "mais absoluta inocência" da cliente, assegurando que os fatos serão esclarecidos. As autoridades policiais e ministeriais afirmam que a influenciadora integraria uma estrutura de lavagem de dinheiro ligada ao núcleo familiar de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder do PCC. O esquema, segundo as investigações, utilizaria empresas, depósitos fracionados e contas de terceiros para movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas e inseri-los no sistema financeiro formal. Uma transportadora em São Paulo também é citada como parte do esquema para movimentar os recursos investigados. A decisão de Flávio Dino mantém a prisão preventiva válida enquanto o caso prossegue sob investigação.

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