BIG TECHS NA MIRA

STF inicia julgamento de recursos de big techs sobre regulação de redes sociais

Prédio do Supremo Tribunal Federal em Brasília.
Supremo Tribunal Federal (STF) em Brasília.

Supremo Tribunal Federal analisa pedidos de Google e Facebook contra decisão que amplia responsabilidade de plataformas por conteúdos ilícitos. Governo também endurece regras.

Nesta domingo, 24/05/2026, o Supremo Tribunal Federal (STF) inicia o julgamento de recursos apresentados por gigantes da tecnologia contra uma decisão da Corte que ampliou a responsabilização das big techs por conteúdos ilícitos publicados por usuários. O julgamento, realizado em plenário virtual, ocorrerá entre 29 de maio e 9 de junho. A decisão é crucial para definir o alcance da liberdade de expressão e a segurança jurídica no ambiente digital brasileiro, impactando diretamente a forma como as plataformas moderam conteúdos e protegem os usuários.

Empresas como Google e Facebook pedem ao STF esclarecimentos e ajustes em pontos da tese fixada pelo Supremo, originalmente definida no julgamento do Marco Civil da Internet. A análise desses recursos foi pautada pelo ministro Dias Toffoli, coincidentemente no mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decretos que endurecem as regras para a atuação dessas empresas no país. Um dos decretos atualiza a regulamentação do Marco Civil para alinhar a legislação à recente decisão do STF.

Em junho de 2025, o Supremo decidiu, por 8 votos a 3, ampliar as hipóteses de responsabilização das empresas de tecnologia por conteúdos ilícitos. Anteriormente, a regra do Marco Civil da Internet condicionava essa responsabilização ao descumprimento de ordem judicial. Com a nova interpretação da Corte, as plataformas podem responder judicialmente em mais situações, mesmo após notificações extrajudiciais feitas por usuários, sem a necessidade prévia de uma decisão judicial. Essa mudança visa proteger a dignidade e os direitos dos cidadãos diante de conteúdos nocivos.

As empresas, em seus recursos, alegam omissões, obscuridades e riscos de insegurança jurídica na decisão do STF. O Facebook, por exemplo, busca esclarecimentos sobre a entrada em vigor das novas regras e solicita um prazo mínimo de seis meses para adaptação às novas obrigações de moderação e transparência. A empresa também defende que a tese se aplique apenas a conteúdos "manifestamente" ilícitos, argumentando que isso evita remoções excessivas e protege a liberdade de expressão. O Google questiona pontos relacionados às notificações extrajudiciais, pedindo que o STF estabeleça requisitos mínimos para esses pedidos, como a identificação do denunciante e a fundamentação da suposta ilegalidade.

Paralelamente, a ofensiva do governo na regulação das plataformas gerou reações na oposição no Congresso Nacional. Parlamentares protocolaram ao menos 24 Projetos de Decreto Legislativo (PDLs) com o objetivo de derrubar os atos assinados pelo presidente Lula. O principal alvo é o decreto que atualiza regras do Marco Civil da Internet e amplia a atuação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) na fiscalização. O texto exige que as empresas ajam rapidamente contra a disseminação de conteúdos ligados a terrorismo, automutilação, discriminação racial, violência contra mulheres, violência sexual e tráfico de pessoas. O decreto também prevê sanções em casos de falhas na prevenção de golpes, fraudes e crimes digitais, buscando resguardar a segurança dos cidadãos.

Parlamentares da oposição acusam o governo de tentar estabelecer um controle sobre redes sociais sem o aval do Congresso. Em contrapartida, aliados do Planalto afirmam que as medidas apenas regulamentam pontos já definidos pelo STF e fortalecem a proteção aos usuários. O professor de Direito Constitucional André Marsiglia alertou, em entrevista à CNN, que alguns conceitos presentes no texto são vagos e podem abrir brechas para censura ou equívocos na aplicação das normas. Ele ressaltou que a ausência de definições claras gera incerteza para plataformas e usuários, alterando a lógica anterior de abordagem individualizada para a retirada de conteúdos.

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