ESQUEMA REVELADO

STF expõe rede de ameaças de Daniel Vorcaro e efetua prisões

STF expõe rede de ameaças de Daniel Vorcaro e efetua prisões

Relatórios da PF revelam "A Turma" e "Os Meninos", grupos de coerção e ataques cibernéticos. Prisões alcançam pai de Vorcaro e membro em Dubai.

O Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na última quinta-feira, 14 de maio de 2026, a prisão preventiva de envolvidos em uma complexa organização criminosa ligada a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A decisão desvendou a estrutura do grupo, que empregava "núcleos operacionais" para intimidar, monitorar e até mesmo aplicar "pressão física" contra desafetos do ex-banqueiro, além de executar ataques cibernéticos. Esta ação contundente da justiça busca coibir graves violações à dignidade e à segurança de cidadãos, reafirmando o compromisso do Estado de proteger a sociedade de esquemas de poder e intimidação.

Os relatórios da Polícia Federal, que embasam as decisões do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), descrevem "A Turma", um dos braços da organização, como um grupo voltado para a prática de ameaças diretas, intimidações presenciais, coerções e levantamentos clandestinos. Além disso, eram responsáveis pela obtenção de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas governamentais, violando a privacidade e a segurança de indivíduos e instituições.

Paralelamente, o grupo batizado de "Os Meninos" especializava-se em crimes tecnológicos. Suas ações incluíam ataques cibernéticos sofisticados, invasões telemáticas, derrubada de perfis digitais e monitoramento ilegal de telefones e comunicações, comprometendo a liberdade e a segurança digital das vítimas.

Felipe Mourão, conhecido como "Sicário", gerenciava ambos os núcleos. Ele faleceu após atentar contra a própria vida no dia de sua prisão pela Polícia Federal, ocorrida em 4 de março de 2026, durante uma operação. Nessa mesma fase da investigação, Daniel Vorcaro foi novamente detido, sob suspeita de tentar obstruir a justiça.

Um flagrante da audácia do grupo surgiu em uma conversa de julho de 2024, quando Vorcaro pediu a "Sicário" que hackeasse o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. As mensagens interceptadas, obtidas pelo Fantástico e veiculadas no domingo, 17 de maio de 2026, revelam o desprezo pela liberdade de imprensa e pela privacidade alheia.

Na troca de mensagens, Vorcaro foi direto: "Preciso hackear esse Lauro". O intermediário, "Sicário", prontamente respondeu: "Vou mandar fazer isto. Já pedi aos meninos para fazer isto. Mandar no e-mail", demonstrando a facilidade com que o crime digital era articulado.

A investigação detalha que "Sicário" chegou a tentar atrair o jornalista Lauro Jardim através do WhatsApp, disfarçando-se como outro repórter para enviar um link malicioso. A tentativa, no entanto, não progrediu, mas expõe a perigosa estratégia de invasão digital.

A decisão do ministro André Mendonça, que autorizou a prisão de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro, na última quinta-feira, 14 de maio de 2026, detalhou minunciosamente a atuação desses núcleos criminosos. A operação expediu um total de sete mandados de prisão preventiva, e a busca por dois foragidos segue em curso.

Entre os detidos nesta sexta fase da Operação Compliance Zero está Victor Lima Sedlmaier, apontado como membro do grupo "Os Meninos". Ele foi preso no sábado, 16 de maio de 2026, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, evidenciando o alcance internacional da investigação e a busca incansável por justiça.

A Polícia Federal também compilou relatos impactantes de vítimas que sofreram intimidações diretas do grupo "A Turma". Luis Felipe Woyceichoski, ex-capitão do iate de Vorcaro, narrou ter sido ameaçado de morte por sete homens, um dos quais se identificou como "Manoel". A investigação conseguiu identificar o agressor como o bicheiro Manoel Mendes Rodrigues, expondo a face violenta da organização.

Outro relato alarmante veio de Leandro Garcia, que chefiava a casa de Vorcaro em Angra dos Reis. Ele afirmou ter sido abordado em um hotel por dois indivíduos: Filipe Mourão e um homem conhecido como Manoel ou Emanuel, demonstrando a recorrência das táticas de intimidação.

Para o ministro Mendonça, "esses elementos não apenas inserem Manoel no contexto fático das intimidações, como o situam, em tese, como um dos executores identificáveis do braço presencial da organização, em ações concretas de ameaça, monitoramento e pressão física sobre desafetos de Daniel Vorcaro". A fala sublinha a seriedade das evidências e o perigo que o grupo representava para suas vítimas.

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