VITÓRIA AMBIENTAL

SOS Mata Atlântica revela: desmatamento atinge menor nível em 40 anos

Vista aérea de área de floresta da Mata Atlântica com alguns focos de desmatamento, simbolizando o esforço de preservação e os desafios persistentes.
Área da Mata Atlântica, bioma que registrou queda no desmatamento em 2025. Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Relatório da ONG SOS Mata Atlântica mostra 8.668 hectares devastados em 2025, uma redução de 40%. Esforços de fiscalização e cidadania trazem resultados inéditos.

A ONG SOS Mata Atlântica revelou, nesta sábado, 16 de maio de 2026, um dado histórico: o desmatamento no bioma atingiu o menor nível em 40 anos durante o ano de 2025. Este levantamento, que aponta uma redução de 40% em relação ao período anterior, oferece uma esperança crucial para a sobrevivência de um ecossistema vital que abriga sete de cada dez brasileiros e é fundamental para a manutenção dos recursos hídricos e da biodiversidade do país.

A história da aposentada Ivani Lemes Cobra ilustra a força da iniciativa individual na proteção ambiental. Sua terra, antes pasto, transforma-se em floresta com o plantio de mais de 500 mudas de espécies nativas, e outras 800 estão por vir após um curso de reflorestamento. “Plantar árvore é plantar água. E uma terra sem água não tem valor, não tem utilidade”, ela ressalta, sintetizando a conexão intrínseca entre floresta e vida.

Iniciativas como a de Ivani contribuem diretamente para a preservação e recuperação da Mata Atlântica. Apesar de o desmatamento não ter cessado completamente, a queda para 8.668 hectares em 2025 marca um recorde positivo em quatro décadas de monitoramento. O relatório detalha que 13 dos 17 estados abrangidos pelo bioma conseguiram reduzir a perda de vegetação em suas florestas maduras, as mais antigas e ricas em biodiversidade. Contudo, Pernambuco, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina registraram, infelizmente, um aumento nas áreas devastadas.

O reforço na fiscalização e a aplicação de sanções econômicas emergem como fatores-chave para a contenção do desmatamento. Silvana Amaral, pesquisadora do INPE, alerta para a predominância das áreas desmatadas em propriedades privadas. “Isso nos alerta e nos clama a convocar essa população, os donos das áreas ainda remanescentes, para que protejam”, ela afirma, destacando a responsabilidade compartilhada na preservação.

Apesar dos avanços, Luís Fernando Guedes Pinto, diretor-executivo da SOS Mata Atlântica, adverte para a necessidade de vigilância constante. Ele manifesta preocupação com "constantes propostas de mudanças de lei no Congresso Nacional e nas assembleias legislativas afrouxando a legislação ambiental". Segundo Pinto, tais alterações podem inverter a trajetória de queda do desmatamento, levando a um novo aumento. “Para a Mata Atlântica, qualquer árvore faz diferença, qualquer plantio florestal faz diferença. É o nosso bioma mais destruído e, aos poucos, a gente tem que recuperar”, ele conclui, sublinhando a urgência da conservação em um bioma tão fragilizado.

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