POUCA REPRESENTATIVIDADE FEMININA
Shen Yiqin: A Conselheira de Estado que se destaca na política chinesa dominada por homens
Conselheira de Estado, Shen Yiqin, ocupa a posição de maior destaque para mulheres no governo chinês, em um cenário político majoritariamente masculino.
Desde 2023, o alto escalão do governo chinês tem sido amplamente dominado por homens. A exclusão de mulheres do 1º Birô Político – principal órgão de formulação do PCCh (Partido Comunista da China) – pela primeira vez em 20 anos, em 2023, evidencia a disparidade. Neste cenário, a Conselheira do Conselho de Estado chinês, Shen Yiqin, figura como a única mulher no centro do poder chinês.
Shen, de 66 anos, foi nomeada para uma das cinco posições de conselheira no Conselho de Estado – o órgão administrativo supremo do país que supervisiona os ministérios – em 2023. Anteriormente, ela ocupou os cargos de governadora da província de Guizhou, de 2018 a 2020, e secretária do PCCh na mesma província, de 2020 a 2023. Na China, o secretário do PCCh em uma província detém mais poder que o governador.
Desde 2023, Shen Yiqin também preside a Federação de Todas as Mulheres da China, organização criada em 1949 para representar os interesses femininos no país.
Ingressando no PCCh em maio de 1985, aos 25 anos, Shen é conhecida por sua lealdade ao partido. Sob sua gestão em Guizhou, uma das províncias mais pobres da China, foram implementados projetos de elevação de padrões de vida e desenvolvimento de infraestrutura, incluindo a instalação de data centers. Esses esforços resultaram em um aumento do PIB da província de US$ 200 bilhões em 2017 para US$ 291 bilhões em 2023.
Abaixo de Shen na hierarquia governamental, encontram-se duas ministras: He Rong, responsável pela pasta da Justiça, e Wang Xiaoping, que comanda o Ministério de Recursos Humanos e Seguridade Social. Dos 26 ministérios existentes, apenas dois são liderados por mulheres.
A baixa representatividade feminina se estende ao Comitê Central do PCCh, o principal órgão de liderança do partido. Dos 372 integrantes, apenas 30 são mulheres, conforme dados compilados pelo South China Morning Post e atualizados em 3 de abril de 2026.
Outras figuras femininas de destaque na China incluem Peng Liyuan, esposa do presidente Xi Jinping, conhecida por sua carreira como cantora e por ter servido nas Forças Armadas, embora não ocupe um cargo governamental. No setor privado, Meng Wanzhou, CFO da Huawei, e Wang Laichun, co-fundadora e CEO da Luxshare Precision, são exemplos de mulheres em posições de influência.
Histórico de mulheres poderosas na China
- Imperatriz Wu Zetian (624–705): Única mulher a reinar como imperatriz soberana na história chinesa, fundou a dinastia Zhou e implementou reformas meritocráticas.
- Imperatriz Viúva Cixi (1835–1908): Liderou de facto a dinastia Qing por 47 anos, resistindo à modernização e mantendo o poder através de manobras políticas.
- Jiang Qing (1914–1991): Conhecida como “madame Mao”, foi uma figura central na Revolução Cultural e parte da “Gangue dos Quatro”, sendo considerada a mulher mais poderosa da China comunista até sua prisão após a morte de Mao Zedong.
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