DIPLOMACIA E SOBREVIVÊNCIA
Setores da indústria buscam estratégias para mitigar impactos do tarifaço de Trump
Empresários brasileiros articulam medidas emergenciais com o MDIC para conter perdas bilionárias e preservar empregos diante das novas barreiras comerciais impostas pelos EUA.
Empresas brasileiras enfrentam um cenário de incertezas após a confirmação da nova tarifa de 25% sobre produtos nacionais, medida oficializada pelo governo dos EUA na semana passada. A decisão, que entrou em vigor na quarta-feira (22), foi motivada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e impacta diretamente 18% das exportações do Brasil, somando cerca de US$ 7,4 bilhões.
Para o setor produtivo, a situação vai além dos números. Líderes industriais apontam que a busca por novos mercados de exportação é um processo lento e complexo, que não resolve a fragilidade imediata de milhares de empregos, especialmente em polos de São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais. Apenas no setor moveleiro, a estimativa é de 10 mil desligamentos desde o ano passado, refletindo o peso da crise sobre as famílias brasileiras.
Diante da pressão, representantes de entidades como Abicalçados e Abimóvel intensificaram o diálogo com o MDIC e a cúpula do governo. Em reunião na terça-feira (21), o setor de máquinas e equipamentos apresentou propostas emergenciais a Geraldo Alckmin, incluindo o fortalecimento do programa Reintegra, a criação de crédito-prêmio à exportação e a postergação de tributos federais para aliviar o fluxo de caixa das companhias afetadas.
Além da diplomacia, a indústria nacional defende uma proteção mais rigorosa contra o avanço de importados no mercado interno, citando a Lei da Reciprocidade Econômica como um instrumento possível de resposta. A preocupação é acentuada pelo anúncio recente do representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, que indicou a aplicação de novas taxas para cerca de 60 países, o que pode acirrar ainda mais a disputa global por espaço comercial.
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