CONSUMO ENERGÉTICO NACIONAL
Setor de transportes consome 36,6% da energia no Brasil, aponta estudo da ONTL
Relatório da ONTL, com dados da EPE, revela que o modal rodoviário domina a demanda. Estudo alerta para a dependência de combustíveis fósseis e a emissão de gases.
O setor de transportes respondeu, em média, por 36,6% do consumo energético do Brasil entre 2014 e 2024. A conclusão é do relatório Panorama do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil, divulgado em junho de 2026 pela ONTL (Observatório Nacional de Transporte e Logística), da Infra S.A., com base em informações da EPE (Empresa de Pesquisa Energética).
A análise, que considera o uso total de energia medido em toneladas equivalentes de petróleo, inclui combustíveis como óleo diesel, gasolina automotiva e etanol. O indicador não se limita ao consumo de energia elétrica, buscando uma comparação unificada de diferentes fontes energéticas utilizadas para o deslocamento de cargas e passageiros.

Ao longo da década estudada, a participação do setor de transportes no consumo energético nacional manteve-se em patamar elevado, flutuando entre 35,42% e 37,85%. O menor índice foi observado em 2020, primeiro ano da pandemia de covid-19, quando o setor representou 35,42% do consumo total. Em 2021, essa participação recuperou-se para 36,20%, ainda que abaixo dos níveis pré-crise sanitária.
Em números absolutos, o consumo energético total do Brasil expandiu de 279 milhões de toneladas equivalentes de petróleo em 2014 para 308 milhões em 2024. Paralelamente, o consumo do setor de transportes aumentou de 101,1 milhões para 116,5 milhões de toneladas equivalentes de petróleo no mesmo período, um crescimento acumulado superior a 15%.
A estrutura logística do país, com forte dependência do transporte rodoviário para longas distâncias e o aumento do fluxo de mercadorias, é apontada como fator principal dessa demanda. O modal rodoviário foi responsável por 82,15% de toda a energia consumida pelo setor entre 2014 e 2024. O transporte aéreo respondeu por 7,21%, o ferroviário por 5,33% e o aquaviário por 5,31%.
O relatório também evidencia a persistente dependência do setor de combustíveis fósseis, com destaque para o óleo diesel. As emissões de dióxido de carbono equivalente associadas aos transportes mantiveram-se elevadas e relativamente estáveis no período. Apesar de avanços pontuais em eficiência e da incorporação de biocombustíveis, o padrão estrutural de consumo energético não foi alterado o suficiente para uma redução consistente das emissões.
Emissões em alta estável e apelo por modernização
O óleo diesel figura como o principal vetor emissor. Diante desse cenário, o estudo defende a implementação de estratégias integradas, como a modernização de frotas, a diversificação modal e o uso de combustíveis menos poluentes, para reduzir a intensidade do consumo energético e mitigar o impacto ambiental.
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