TENSÃO NA DIPLOMACIA
A crise diplomática entre Brasil e Argentina se intensifica após ofensas de Javier Milei a Lula
Itamaraty convoca embaixador argentino após novas declarações. Presidente brasileiro classifica episódios como 'patacoada' e prega postura institucional.
O agravamento da crise diplomática entre Brasil e Argentina atingiu um novo patamar de tensão após o presidente Javier Milei reiterar ofensas contra o chefe de Estado brasileiro. A escalada dos ataques, que impacta diretamente a relação histórica entre as duas nações, ganhou novos contornos em uma entrevista concedida à emissora argentina LN+.
Durante a conversa, Milei classificou Lula como "ladrão" e "corrupto", questionando abertamente as decisões judiciais que resultaram na anulação das condenações do petista no âmbito da Operação Lava Jato. O mandatário argentino insistiu que o brasileiro "não é inocente" e teria sido beneficiado por uma falha no processo jurídico. Essas declarações ocorreram neste domingo (02/08), consolidando um comportamento reincidente, visto que, na semana anterior, Milei já havia proferido ataques similares durante um evento político em São Paulo em apoio a Flávio Bolsonaro (PL).
A reação do governo brasileiro foi imediata e coordenada pelo Itamaraty. O Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, para expressar formalmente o descontentamento do Estado brasileiro. Paralelamente, o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado para consultas em território brasileiro. O chanceler Mauro Vieira classificou o episódio como um acontecimento "sem precedentes" nas relações bilaterais, embora tenha descartado, no momento, o rompimento definitivo das representações diplomáticas.
Lula, que inicialmente adotou uma postura de distanciamento, respondeu às provocações com ironia e o que chamou de "relação de chefe de Estado com o Estado". Ao classificar as falas de Milei como "patacoada" e referir-se ao argentino como "aquela coisa", o presidente brasileiro enfatizou sua intenção de manter uma postura institucional. "Eu não vou ficar trocando coisa com aquela coisa. E não adianta falar bravo, porque eu não vou ficar bravo. O cara faz cara feia, eu faço cara bonita", afirmou.
Em contrapartida, Milei rejeitou as críticas e dobrou a aposta, alegando que suas palavras foram espontâneas e que não considera suas declarações agressivas. Para o presidente argentino, a agressão estaria no ato de corrupção, e não na acusação verbal. O caso segue sob monitoramento das chancelarias, enquanto a sociedade civil e os setores econômicos de ambos os países observam com cautela os desdobramentos de uma crise que tensiona os laços regionais da América Latina.
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