DIPLOMACIA E COMÉRCIO
Setor de mel aposta na dependência dos EUA para reverter sobretaxa
Diretor da Abemel aponta qualidade do produto nacional como trunfo contra tarifas de 25%. Setor busca isenção em meio a negociações com o USTR.
O setor de mel brasileiro mantém expectativa por uma revisão nas tarifas de 25% propostas pelo USTR (Representante Comercial dos EUA), amparado pela elevada dependência do mercado americano em relação ao produto nacional, conforme detalhado em 13/07/2026. A medida, que impacta diretamente a competitividade das exportações brasileiras, pode entrar em vigor em 15/07/2026 caso a recomendação original seja mantida.
A decisão de revisar as taxas é um pleito urgente para os produtores, visando preservar a viabilidade econômica de milhares de famílias e empresas que dependem da exportação. Embora o cenário interno no Palácio do Planalto sinalize pessimismo quanto à reversão após audiências recentes em Washington, o setor privado defende que a qualidade e a singularidade do mel brasileiro são argumentos técnicos incontestáveis.
João Marcello, diretor da Abemel (Associação Brasileira dos Exportadores de Mel), explicou que a vantagem competitiva reside na genética da abelha africanizada, que permite a produção de mel dentro de normas orgânicas rigorosas. Esse diferencial técnico torna o produto brasileiro fundamental para o suprimento dos EUA, que importam do Brasil 75% do mel orgânico consumido no país.
A articulação diplomática e comercial conta com apoio de peso dentro do território americano. Importadores estratégicos e o maior envasador de mel dos EUA somaram forças aos produtores brasileiros durante as audiências públicas, reforçando a tese de que a taxação prejudicaria a própria indústria americana. O enquadramento como mel orgânico é a principal via buscada pelo setor para garantir a isenção tributária e evitar prejuízos irreversíveis.
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