DIPLOMACIA E COMÉRCIO
União Europeia reage com cautela a novas tarifas comerciais dos EUA
Bloco europeu questiona justificativas sobre trabalho forçado, mas celebra manutenção de isenções em acordo firmado com Washington.
A Comissão Europeia adotou uma postura de cautela diante da decisão dos Estados Unidos de implementar novas tarifas sobre uma vasta lista de parceiros comerciais, incluindo a União Europeia. A medida foi oficializada nesta sexta-feira (24), sob a justificativa americana de que os países afetados seriam insuficientes no combate à importação de mercadorias produzidas sob condições de trabalho forçado.
O governo dos EUA determinou alíquotas de 10% e 12,5% sobre produtos de 60 nações, decisão que também impacta a China. No caso europeu, o cenário é mitigado por um regime específico: as novas cobranças não se acumulam com as tarifas de "nação mais favorecida" já vigentes. Além disso, o novo decreto garante a continuidade de isenções para setores estratégicos, como diamantes, cortiça, componentes aeronáuticos e medicamentos genéricos.
Em nota oficial, um porta-voz da Comissão Europeia qualificou o resultado como um "impulso positivo", destacando que o desfecho respeita os compromissos estabelecidos na Declaração Conjunta entre UE e EUA. O bloco enfatizou a necessidade de Washington cumprir integralmente o acordo firmado em julho passado no resort de Turnberry, na Escócia, durante encontro com Donald Trump, visando garantir estabilidade aos mercados internacionais.
Apesar da recepção diplomática, a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, refutou veementemente os argumentos de Washington. Em declarações à Reuters, feitas nesta sexta-feira (24) em Manila, durante a cúpula da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático), Kallas classificou as acusações sobre falhas europeias no combate ao trabalho forçado como infundadas.
Para a diplomata, a comparação entre os padrões trabalhistas dos dois blocos favorece a Europa, citando benefícios como férias remuneradas e melhores condições laborais como provas de que a justificativa econômica apresentada pelos Estados Unidos carece de base factual.
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