DADOS DO SISTEMA

Sete em cada dez presos no Distrito Federal são negros, revela relatório

Vista interna de unidade prisional no Distrito Federal apontando superlotação.
Sete em cada dez pessoas presas no Distrito Federal são negras. — Foto: MNPCT/Divulgação

Estudo aponta hipercentralização de pessoas negras no sistema prisional e condições degradantes de custódia no Complexo Penitenciário da Papuda.

A população negra representa 72,7% das pessoas em cumprimento de pena privativa de liberdade no Distrito Federal, conforme apontou um levantamento divulgado recentemente. O estudo, elaborado pelo Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT) após inspeções no sistema prisional, destaca que a discrepância racial evidencia uma política de hiperencarceramento que ignora vulnerabilidades históricas e sociais. Os dados, fundamentados no Sistema Nacional de Informações Penais (Sisdepen), detalham que 54% dos custodiados se autodeclaram pardos e 18,7% pretos. A situação é ainda mais aguda no Centro de Internamento e Reeducação (CIR), unidade situada no Complexo Penitenciário da Papuda, onde o percentual de pessoas negras chega a 80%. Para a diretora de Igualdade Racial da OAB-DF, Tuanne Costa, o cenário é o desdobramento de um legado de exclusão. Segundo a especialista, a ausência de políticas públicas de reparação e a chegada do Estado às periferias quase exclusivamente pela via da repressão perpetuam um ciclo de desigualdade que culmina na superpopulação carcerária. Além do recorte racial, o relatório classifica as condições do CIR como cruéis, desumanas e degradantes. A unidade, visitada pelos peritos entre os dias 17 e 19 de março de 2026, operava com 196% de sua capacidade, abrigando 2.988 pessoas em um espaço projetado para 1.527. O documento relata detentos dormindo em banheiros, colchões improvisados no chão e infestações por animais peçonhentos. A Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape-DF), notificada sobre o conteúdo do relatório na quarta-feira (5), informou que realiza uma análise técnica minuciosa dos apontamentos. Em nota, a pasta reconheceu o excesso populacional e afirmou estar empenhada no cumprimento do Programa Pena Justa para a ampliação de vagas e fortalecimento das políticas de ressocialização.

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