VETO HISTÓRICO

Senado rejeita Jorge Messias para STF em veto de 132 anos

O advogado-geral da União, Jorge Messias, em momento de sua sabatina no Senado Federal.
Jorge Messias durante sabatina no Senado Federal.

Decisão da casa legislativa encerra aspiração do AGU e redefine dinâmica política. Nomeação de Lula para Suprema Corte barra indicação que não ocorria desde 1894.

A rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal pelo Senado Federal, ocorrida nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, ressoou profundamente na esfera política nacional. Um dia após a decisão histórica, Messias utilizou seu perfil no X, nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, para compartilhar um eloquente discurso de Darcy Ribeiro, interpretando os próprios 'fracassos' como 'vitórias' diante do revés. Este veto, inédito em 132 anos na história republicana, não apenas encerra a aspiração de Messias à Suprema Corte, mas também reconfigura a dinâmica de poder entre o Executivo e o Legislativo.

Jorge Messias durante sua sabatina no Senado Federal

Na publicação, o chefe da Advocacia-Geral da União transcreveu as palavras do educador, antropólogo e político mineiro Darcy Ribeiro (1922-1997). O trecho, originalmente proferido em 1978, quando Ribeiro recebeu o título de Doutor Honoris Causa na Universidade Sorbonne, em Paris, ecoou o sentimento de superação: "Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu."

Essa partilha de Messias em suas redes sociais ocorreu precisamente um dia após o Senado Federal votar contra sua nomeação para a mais alta corte do país. A última vez que um fato como este se deu foi em 1894, há 132 anos, durante o governo de Floriano Peixoto, nos primeiros anos da República, o que confere à atual decisão um peso histórico e político de grande relevância.

Jorge Messias em imagem publicada em suas redes sociais

Messias foi a escolha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ocupar a vaga que se abriu com a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso. Embora Lula tenha anunciado a indicação em 20 de novembro, a comunicação oficial ao Senado só ocorreu em 1º de abril. A sabatina, momento crucial para a avaliação dos senadores, foi realizada 160 dias após o anúncio inicial e 28 dias depois da formalização da mensagem presidencial.

Apesar do revés, o advogado-geral da União fez questão de afirmar que sua trajetória pública não se encerra com o episódio. Ele sinalizou a intenção de continuar atuando ativamente na vida institucional do país, demonstrando resiliência e compromisso com o serviço público.

O caso gerou diversas repercussões e comentários no cenário político:

  • Messias agradece Mendonça por apoio após derrota no Senado
  • STF “não deve ser protagonista”, diz Jorge Messias em sabatina
  • Gilmar Mendes defende Jorge Messias após rejeição no Senado

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