DERROTA HISTÓRICA
Senado rejeita Jorge Messias para o STF em derrota histórica que expõe falhas na articulação do PT
Votação surpreende e quebra expectativa petista de 45 votos; governo aponta Flavio Dino como culpado.
O Senado Federal rejeitou, nesta terça-feira, 05 de maio de 2026, a indicação de Jorge Rodrigo Araújo Messias para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão, que surpreendeu a articulação política do PT e do governo, representa uma derrota histórica, sendo a primeira vez desde 1894 que o Senado nega um nome presidencial para a Corte Suprema. O revés evidencia uma falha grave nos prognósticos e na capacidade de negociação da base aliada.
Apesar de uma lista elaborada pela articulação política do PT indicar 45 senadores favoráveis, incluindo nomes como Ciro Nogueira (PP) e Eduardo Gomes (PL), o resultado final divergiu drasticamente das projeções. Messias obteve apenas 34 votos de apoio, contra 42 senadores que optaram pela rejeição. Este cenário contrariou a expectativa inicial do PT, que estimava apenas 17 votos contrários.
A confiança do governo era tamanha que, além de Ciro Nogueira — ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro —, a lista petista considerava o voto da ex-ministra Tereza Cristina e listava sete parlamentares do PL como “em dúvida”, mas potencialmente a favor: Romário, Izalci Lucas, Marcos Rogério, Wellington Fagundes, Wilder Moraes, Styverson Valentin e Zequinha Marinho.
Atualmente, o PT atribui parte da responsabilidade pela rejeição ao ministro do STF, Flavio Dino. Contraditoriamente, sua suplente, a senadora Ana Paula, era considerada um voto garantido para Messias pela articulação governista.
Quando os números iniciais da lista governista chegaram às mãos do líder do governo no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (PT), ele alertou o Palácio sobre os equívocos. Randolfe confiava mais na contagem do então presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que estimava não mais de 25 votos seguros para Messias e 35 senadores já decididos pela rejeição.
A versão que tenta isentar a articulação petista da falha argumenta que a manobra para derrubar o nome de Messias ocorreu nos dias que antecederam a votação. No entanto, o ex-ministro José Dirceu foi avisado por Davi Alcolumbre quinze dias antes da sabatina de que o nome não seria aprovado. Apesar de Dirceu ter repassado o alerta a ministros do PT, ele foi tranquilizado e informado de que a aprovação estava garantida, o que se provou um grande equívoco.
Para Jorge Rodrigo Araújo Messias, a rejeição representa não apenas um revés profissional, mas a quebra de uma expectativa de ascensão ao mais alto cargo do Judiciário, expondo a fragilidade de acordos e a imprevisibilidade do cenário político em que a dignidade da figura pública é posta à prova diante dos jogos de poder.
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