PRESSÃO NAS ESTRADAS

Senado intensifica análise da MP do Frete após paralisação de caminhoneiros

Caminhões parados em rodovia durante manifestação de caminhoneiros.
Caminhoneiros protestam em rodovias exigindo a votação da MP do Frete no Senado Federal.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, articula a votação da Medida Provisória que regula o setor para evitar que o texto perca a validade nesta quinta-feira, 16/07/2026.

O Senado Federal colocou em pauta a análise da Medida Provisória (MP) que redefine o piso do frete rodoviário, em um movimento estratégico para conter a mobilização da categoria. A decisão, articulada para ocorrer nesta terça-feira, 14/07/2026, é um desdobramento da crescente pressão exercida por caminhoneiros que paralisaram atividades em diversos estados brasileiros, reivindicando celeridade legislativa.

O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), cumpre agenda de articulação com lideranças do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para garantir a votação. A urgência do tema justifica-se pelo prazo fatal: a Medida Provisória expira nesta quinta-feira, 16/07/2026. Caso não seja deliberada até esta data, a proposta perderá seus efeitos, gerando insegurança jurídica para os trabalhadores que dependem da regulamentação para a manutenção de sua dignidade financeira.

O impasse gira em torno de pontos sensíveis do texto. Representantes do governo buscam contornar a inclusão de dispositivos que preveem a anistia de multas aplicadas em manifestações de 2022 e a flexibilização de sanções pelo uso de dados de tacógrafos. O relator, deputado federal Zé Trovão (PL-SC), defendia atenuar penalidades para transportadores, mas o Poder Executivo sinaliza que vetará trechos que considera contrários ao interesse público.

A paralisação, liderada por figuras como Wallace Landim, presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automores (Abrava), ecoou em estados como São Paulo, Goiás, Santa Catarina e Pernambuco. Embora o bloqueio em vias de acesso ao Porto de Santos tenha impactado o fluxo, as operações portuárias foram mantidas, demonstrando o esforço em equilibrar a manifestação de classe com o funcionamento da economia nacional.

A negociação política, conduzida também pelo líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), busca um consenso que contemple a criação de um piso nacional para o transporte de cargas, garantindo estabilidade à classe sem comprometer a integridade dos dispositivos de fiscalização nas rodovias.

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