POSTURA INSTITUCIONAL

Marcos Sampaio Olsen defende isolamento político das Forças Armadas

Foto de Marcos Sampaio Olsen, comandante da Marinha, durante entrevista.
Comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, em entrevista sobre os rumos institucionais das Forças Armadas.

Comandante da Marinha avalia 8 de janeiro e defende PEC que impede militares na política. Falta de orçamento trava projetos estratégicos como o submarino nuclear.

O comandante da Marinha do Brasil, Marcos Sampaio Olsen, classificou os eventos de 8 de janeiro de 2023 como um "acontecimento lamentável". Em entrevista à CNN, o militar destacou que o desfecho judicial do caso revelou uma maturidade institucional admirável, ao mesmo tempo em que reforçou a necessidade urgente de blindar a corporação contra interferências políticas.

O desafio de afastar a política da caserna

Questionado sobre o distanciamento da política do ambiente militar, Marcos Sampaio Olsen reconheceu que, embora tenha havido avanços significativos desde os episódios de 8 de janeiro de 2023, o processo de neutralidade ainda é um desafio constante. O comandante atribuiu parte da estabilização atual à atuação do ministro da Defesa, José Múcio, na gestão dos ânimos institucionais, reiterando que discussões de cunho político-partidário são incompatíveis com as atribuições das Forças Armadas.

O cenário, contudo, ainda carrega o peso de eventos recentes. O diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, ressaltou o desconforto persistente na cúpula militar, citando a condenação pelo STF (Supremo Tribunal Federal) do ex-comandante Almir Garnier, acusado de colocar a Marinha à disposição de Jair Bolsonaro para um suposto golpe de Estado.

Propostas de mudança e gargalos orçamentários

Como medida para assegurar a autonomia da força, Marcos Sampaio Olsen defendeu a aprovação de uma PEC no Congresso Nacional que veda o retorno à ativa de militares que buscarem cargos políticos. Para o comandante, a medida é essencial para garantir a coesão da carreira.

Além das questões políticas, a Marinha enfrenta obstáculos operacionais causados pela escassez de recursos. Segundo Marcos Sampaio Olsen, a falta de previsibilidade orçamentária prejudica o planejamento de longo prazo, afetando diretamente o desenvolvimento do submarino de propulsão nuclear — projeto conduzido em parceria com a França que teve seu prazo de entrega adiado para 2038. O setor sofre com uma percepção social de baixa ameaça, o que, na visão da força, retrai os investimentos necessários para a segurança do Brasil.

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