DIPLOMACIA E COMÉRCIO
João Paulo Capobianco rebate críticas dos EUA sobre desmatamento no Brasil
Ministério do Meio Ambiente questiona ausência de fundamentação técnica em investigação dos EUA sobre suposta vantagem competitiva do agronegócio.
O governo brasileiro contestou as recentes declarações de autoridades americanas que associam o desmatamento no Brasil a uma suposta vantagem competitiva no comércio internacional. O Ministério do Meio Ambiente reagiu à postura do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) durante a tarde de quarta-feira (22/07/2026), reforçando que não houve apresentação de provas técnicas que sustentem as alegações contra o setor agropecuário nacional.
A controvérsia ganhou corpo após Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos, utilizar o tema como argumento no âmbito da investigação conduzida sob a Seção 301 da legislação americana. Para o ministro João Paulo Capobianco, o discurso é "desmedido" e carece de suporte factual, sugerindo uma motivação política que desconsidera os dados ambientais auditáveis produzidos pelo Brasil.
"Se tivéssemos recebido um estudo técnico com números e dados, poderíamos apresentar as informações necessárias para o esclarecimento", afirmou Capobianco em entrevista ao CNN Agro. O ministro destacou que o desmatamento apresenta trajetória de queda consistente na Amazônia, no Cerrado, na Mata Atlântica, na Caatinga, no Pantanal e no Pampa, invalidando a premissa de desequilíbrio ambiental crescente como estratégia comercial.
Quanto à indústria madeireira, o governo brasileiro sublinhou a inexistência de rivalidade direta. Segundo o Ministério, o Brasil detém apenas 0,6% do mercado internacional de madeira, sendo a maior parte das exportações para os Estados Unidos composta por produtos que não competem com a produção local americana, mas que exercem papel complementar.
Em um esforço diplomático articulado com o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Ministério da Fazenda, técnicos foram enviados a Washington para prestar esclarecimentos. O governo defende que o Brasil possui um dos arcabouços legais mais rígidos do mundo, citando o Cadastro Ambiental Rural (CAR), a obrigatoriedade de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e as exigências de Reserva Legal.
Dados apresentados pelo governo indicam que menos de 2% das propriedades rurais brasileiras registraram desmatamento, sendo parte destas intervenções autorizadas por lei. A expectativa brasileira é que a transparência dos dados técnicos prevaleça sobre as retóricas políticas que ameaçam o fluxo comercial entre os dois países.
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