JUSTIÇA ANALISA CASO
Segunda Turma do STF mantém prisão de pai e primo de ex-dono do Banco Master
Placar parcial de 2 a 0 na Segunda Turma do STF indica manutenção das detenções de Henrique e Felipe Vorcaro. Ministro Luiz Fux acompanhou voto do relator André Mendonça, convertendo prisões temporárias em indefinidas. Julgamento segue com pedidos de vista.
O Supremo Tribunal Federal (STF) deu início a um importante debate sobre a manutenção das prisões de Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro, pai e primo do ex-dirigente do Banco Master, Daniel Vorcaro. Na segunda-feira, 25/05/2026, a Segunda Turma do Tribunal formou um placar parcial de 2 a 0 pela continuidade das detenções. O ministro Luiz Fux alinhou-se ao voto do relator, ministro André Mendonça, que propôs a conversão das prisões temporárias em detenções sem prazo preestabelecido, uma decisão que impacta diretamente a liberdade dos investigados. O julgamento, que acontece no ambiente virtual da Segunda Turma, foi suspenso temporariamente após o ministro Gilmar Mendes solicitar vista. Outros ministros, como Nunes Marques, ainda apresentarão seus votos, enquanto Dias Toffoli declarou impedimento e não participará da decisão final. As prisões de Henrique e Felipe Vorcaro são desdobramentos da Operação "Compliance Zero", deflagrada pela Polícia Federal (PF). A investigação apura um complexo esquema de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, com conexões ao Banco Master, instituição que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. Felipe Vorcaro foi detido em 7 de maio, e seu pai, Henrique Vorcaro, foi preso uma semana depois, em 14 de maio, na cidade de Belo Horizonte. As investigações apontam que Henrique teria atuado como um operador financeiro central e beneficiário de uma organização criminosa apelidada "A Turma", suspeita de realizar pagamentos ilícitos e obter dados sigilosos. Relatos indicam repasses mensais de cerca de R$ 400 mil ao grupo. Em seu voto, André Mendonça ressaltou a existência de "fortes indícios" da participação dos investigados em uma estrutura criminosa com "grande impacto social". O ministro argumentou que a permanência dos acusados em liberdade poderia prejudicar o andamento das investigações e dificultar a aplicação da lei. As alegações de ocultação patrimonial e dissimulação de bens também foram mencionadas. Conforme os autos, Felipe Vorcaro teria deixado uma propriedade em Trancoso às pressas, pouco antes da chegada dos agentes da PF. Ele é investigado por suposta participação em operações financeiras ilícitas, incluindo transações ligadas à Green Investimentos e movimentações de lavagem de dinheiro. Mendonça concluiu que medidas menos restritivas seriam insuficientes para garantir a ordem pública e a eficácia da apuração. As defesas de Henrique e Felipe Vorcaro negam todas as irregularidades apontadas pela investigação.
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