SEGURANÇA PÚBLICA

Renan Santos defende uso de força letal contra criminosos

O candidato à Presidência Renan Santos gesticula durante entrevista em estúdio de televisão.
Renan Santos em entrevista à GloboNews, nesta 4ª feira (5.ago.2026).

Candidato do Missão à Presidência afirma que, caso eleito, orientará policiais ao uso letal da força. Proposta gera debate sobre limites da atuação do Estado.

O candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, defendeu a adoção de uma política de segurança baseada no uso letal da força contra assaltantes. A declaração foi feita nesta 4ª feira (5.ago.2026), durante entrevista concedida ao canal GloboNews.

A controvérsia teve origem em um discurso proferido por Renan Santos no 1º Congresso Nacional do Missão, realizado em São Paulo, no sábado (1º.ago.2026). Na ocasião, o postulante ao cargo de chefe do Executivo afirmou que, em seu governo, “mataria quem roubar”, visando erradicar o crime de roubo de dispositivos móveis. Questionado pelas jornalistas Natuza Nery e Andréia Sadi sobre a aplicação prática de tal medida, o candidato reiterou que policiais deveriam ter aval integral do Estado para utilizar força letal, embora a segurança pública seja uma competência primária dos governadores, e não da Presidência da República.

“Nós vamos viver num país em que você vai poder andar com o seu celular na rua, você vai comprar as coisas que você quer e você não será assaltado. Quem tentar te fazer isso vai morrer”, declarou Santos. Ao ser indagado sobre o risco de mortes de inocentes durante essa política de confronto, o candidato negou preocupação com eventuais danos colaterais e classificou a segurança como uma escolha binária: “Ou prendeu ou matou. Não tem outro caminho”.

Atualmente, o ordenamento jurídico brasileiro condiciona o uso de armas de fogo por agentes de segurança à existência de ameaça real ou iminente à vida. Apesar de citar o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, como uma de suas inspirações, o candidato ressaltou que não pretende alterar normas sobre mandados judiciais ou o acesso de detentos a advogados, distanciando-se de práticas mais autoritárias aplicadas naquele país.

Durante a sabatina, o candidato também abordou pautas comportamentais, defendendo a necessidade da “figura de um bom pai” para reduzir índices de criminalidade infanto-juvenil. Ao ser confrontado sobre declarações anteriores em que se intitulou “machista”, Santos tratou o episódio como uma “provocação” e afirmou que seu foco permanece na implementação de seu programa de governo.

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