COLIGAÇÃO EM CONSTRUÇÃO

Samanda Alves afirma que suplências e vice do “time de Lula no RN” seguem em negociação

Samanda Alves, presidente estadual do PT e pré-candidata ao Senado.
Samanda Alves, presidente estadual do PT e pré-candidata ao Senado. Foto: Francisco de Assis/CMN

Pré-candidata ao Senado pelo PT, Samanda Alves, indicou que a composição das chapas para o Senado e a definição do vice-governador ainda não estão fechadas, gerando atrito com o PDT.

A definição sobre as suplências das chapas ao Senado e a escolha do vice-governador, que compõem o chamado “time de Lula no Rio Grande do Norte”, ainda segue em discussão entre os partidos que apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado. A vereadora de Natal e presidente estadual do PT, Samanda Alves, pré-candidata ao Senado, sinalizou que as composições não estão sacramentadas, em um cenário que reacende a tensão com o PDT. A decisão sobre esses pontos cruciais para a aliança política foi comunicada em entrevista recente.

A declaração de Samanda Alves, ocorrida em entrevista à TV Ponta Negra, contrapõe a posição já divulgada pelo PDT, que havia anunciado Rafael Motta como pré-candidato ao Senado e Jean Paul Prates como primeiro suplente. Segundo a presidente estadual do PT, o grupo governista já definiu três nomes na majoritária: Cadu Xavier (PT) como pré-candidato ao Governo do Estado, a própria Samanda como pré-candidata ao Senado e Rafael Motta como segundo nome para a disputa senatorial. No entanto, a composição final ainda depende de um acordo coletivo.

Samanda Alves, presidente estadual do PT e pré-candidata ao Senado.
Samanda Alves, presidente estadual do PT e pré-candidata ao Senado. Foto: Francisco de Assis/CMN

“Nós continuamos nos diálogos, conversando coletivamente com esses partidos para definir o nome para vice-governador ou vice-governadora e também para as suplências”, afirmou Samanda. Sua fala reforça a visão de que as suplências são parte integrante da negociação conjunta da chapa majoritária, e não uma prerrogativa exclusiva de um único partido.

Essa perspectiva diverge daquela defendida por Jean Paul Prates. Em entrevista anterior ao programa Contraponto, da 96 FM, o ex-senador sustentou que a primeira suplência de Rafael Motta já pertencia ao PDT, destacando a autonomia do partido na formação de sua chapa. “O PDT tem uma definição. O PDT é um partido autônomo. É um partido que não está na federação”, declarou Prates na ocasião, ao reagir às movimentações para reabrir a discussão.

Ao ser questionada sobre quem seriam seus suplentes, Samanda Alves evitou especificar nomes e reiterou a importância do consenso. “Essa discussão está sendo feita nesse coletivo de partidos. A gente tem essa tradição de construir ouvindo outros grupos. Não dá para ser o meu pré-candidato, o meu suplente preferencial, sem ouvir aqueles que estão construindo esse palanque conosco”, declarou.

O “time de Lula no RN” compreende a federação PT-PV-PCdoB, além dos partidos PSB e PDT, e busca atrair as federações PSDB-Cidadania e Psol-Rede. A presidente estadual do PT explicou que a acomodação política ainda está em curso, o que justifica a indefinição sobre a composição total da chapa.

O impasse nas suplências não afeta apenas a chapa de Samanda. Ele também repercute na candidatura de Rafael Motta. Embora o PDT tenha apresentado Jean Paul Prates como primeiro suplente, outras legendas da base aliada reivindicam espaço na composição majoritária. O PV, por meio de seu presidente estadual, Rivaldo Fernandes, declarou que a suplência de Rafael Motta permanece em aberto, pois o partido segue a orientação coletiva e indicou o nome do professor Emmanuel Nunes, de Mossoró, como opção. “Nós queremos compor a majoritária. Nós não estamos impondo, não. Nós temos que participar”, disse Fernandes anteriormente à 96 FM.

O PSB também defende que as definições continuem em negociação. A presidente estadual da legenda, Larissa Rosado, já manifestou que a escolha dos suplentes e da vice de Cadu Xavier permanecerá na pauta das próximas conversas entre os partidos da base governista. A possibilidade de adesão do PSDB, partido presidido por Ezequiel Ferreira, presidente da Assembleia Legislativa, adiciona outro elemento de incerteza, com setores do governismo vendo a legenda como um fator de ampliação da chapa de Cadu Xavier, tanto para a vaga de vice quanto para as suplências senatoriais.

Samanda Alves busca apresentar o processo como uma construção democrática e inclusiva. Ela ressaltou que o palanque de Lula no Rio Grande do Norte deve integrar todos os partidos da aliança, com o objetivo de defender o legado do presidente e da governadora Fátima Bezerra (PT). A pré-candidata ao Senado vê sua própria postulação como uma continuidade do projeto político de Fátima Bezerra, que optou por permanecer no Governo do Estado até o fim do mandato, em vez de disputar a vaga senatorial. Samanda expressou sentir “muita honra” em receber a missão e destacou que sua pré-campanha já tem percorrido o estado, associando-se diretamente às figuras de Lula e Fátima Bezerra, com o slogan “Samanda de Lula e de Fátima”.

A presidente estadual do PT defendeu a clareza política da aliança, afirmando que o grupo governista representa o palanque de Lula no RN e criticando, indiretamente, aqueles que buscam se posicionar em diferentes campos políticos. “Nós temos lado. É o lado do presidente Lula, é o lado de Fátima e é o lado da maioria do povo do Rio Grande do Norte”, concluiu.

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