FUJA DAS DÍVIDAS
Romero Souza alerta: Orçamento familiar combate endividamento
Especialista da Band RN detalha como sair do caos financeiro e investir a partir de R$ 1.
O educador financeiro Romero Souza alertou, nesta quarta-feira, 20/05/2026, que o orçamento familiar e a educação financeira representam as armas mais poderosas para combater o endividamento no Brasil. O consultor defende que, apesar de programas como o Desenrola oferecerem um alívio temporário, eles não atacam a raiz do problema, que se manifesta na dignidade e na qualidade de vida de milhões de brasileiros. A tese central, apresentada na Band RN, ressalta a importância de um controle financeiro rigoroso para que as famílias reconquistem o controle de suas finanças e construam um futuro mais seguro.
A situação de endividamento no país alcançou patamares alarmantes, conforme destacou Romero Souza durante entrevista ao programa Entrevista Coletiva, na Band RN. Ele enfatiza que iniciativas como o programa Desenrola, embora importantes para oferecer fôlego e reduzir dívidas, funcionam como paliativos, falhando em resolver a verdadeira causa da instabilidade financeira das famílias.
"O problema dos brasileiros com as dívidas não reside apenas na dívida em si, mas na questão do comportamento e na necessidade de uma mudança de atitude", ressaltou o especialista. Para Souza, a trajetória financeira de cada indivíduo é um reflexo de sua história familiar, educação, cultura, trabalho e das escolhas cotidianas, fatores que moldam diretamente a maneira como as pessoas lidam com o dinheiro.
O consultor defende a inclusão da educação financeira no currículo escolar desde o ensino fundamental. Ele argumenta que crianças a partir dos 7 ou 8 anos já deveriam aprender a distinguir custo de valor, evitando que se tornem adultos reféns de um consumo impulsionado por marcas, desejos imediatos e compras por impulso, que comprometem a sua autonomia financeira.
Romero Souza aponta que a sociedade brasileira padece de uma "doença" do consumo. Ele observa que muitas crianças são incentivadas precocemente a comprar e a desejar bens, mas não recebem o aprendizado sobre planejamento, poupança ou a verdadeira importância do valor das coisas. Em 2025, o consultor desenvolveu um projeto inovador em uma escola particular de Natal, focado em introduzir esses conceitos a estudantes.
Durante a entrevista, o educador financeiro identificou o desequilíbrio entre renda e gasto como o erro mais frequente das famílias. Ele revelou que atende indivíduos com rendimentos elevados, de R$ 30 mil, R$ 50 mil ou até R$ 60 mil, que, mesmo assim, consomem mais do que ganham. "Alguém que recebe um salário mínimo, R$ 2 mil ou R$ 3 mil, mas gasta R$ 4 mil, jamais resolverá sua situação", exemplificou, destacando a universalidade do problema.
Por essa razão, Romero enfatiza que o orçamento deve ser a pedra angular de qualquer estratégia financeira sólida. Em seu livro, "O Meu Poderoso Orçamento, do Caos ao Poder", ele propõe um sistema de organização em quatro pilares: receitas, despesas, dívidas e investimentos. Para o autor, não basta apenas controlar o fluxo de entrada e saída de dinheiro; é fundamental visualizar o impacto das dívidas e, crucialmente, destinar uma parte para investimentos.
O investimento, na visão do consultor, deve ser tratado como um "boleto obrigatório". Ele traça um paralelo entre a aplicação mensal e compromissos inadiáveis das famílias, como o plano de saúde, sublinhando que, ao contrário de outros pagamentos, este "boleto" garante a tranquilidade e a segurança no futuro, construindo um patrimônio para o indivíduo e sua família.
Romero Souza assegura que mesmo quem possui baixa renda pode iniciar sua jornada de investimentos. Ele destaca a existência de alternativas acessíveis, com aplicações a partir de R$ 1. Embora esse valor, isoladamente, não transforme uma vida, ele é essencial para o desenvolvimento de um hábito financeiro. O mais importante, segundo o educador, é dar o primeiro passo com o montante disponível, seja R$ 1, R$ 5, R$ 10, R$ 20 ou R$ 30.
Para aqueles que já se encontram em situação de endividamento, o percurso é mais desafiador, mas invariavelmente tem seu ponto de partida no orçamento. Romero esclareceu que um controle financeiro bem estruturado revela o destino do dinheiro, quais despesas exigem cortes, quais dívidas merecem prioridade e quais ajustes são cruciais para que o salário não se esgote antes do fim do mês, restaurando a esperança e o controle.
Um alerta contundente feito pelo consultor focou no alarmante avanço das bets e jogos de aposta. Em 25 anos de experiência na área financeira, Romero Souza declara jamais ter presenciado um cenário tão grave. Ele expressa a preocupação de famílias, trabalhadores e até empresas com o impacto devastador das apostas nos orçamentos domésticos. O educador relata casos de pessoas à beira do colapso, sofrendo com ansiedade, depressão e, em situações mais extremas, pensamentos suicidas, evidenciando a dimensão trágica do problema.
Para Romero, o dinheiro que deveria sustentar a família tem sido desviado para as apostas, impulsionado pela ilusão de um ganho rápido. "Com certeza, a pessoa perderá, pois o jogo é estruturado para isso. Quem sempre ganha é a banca, nunca o apostador", alertou, reforçando a urgência de uma mudança de perspectiva.
A obra de Romero Souza, com 136 páginas, promete uma leitura ágil, estimada em cerca de 40 minutos. O livro destina-se primariamente a quem nunca teve contato com educação financeira, nunca elaborou um orçamento ou não possui o hábito de controlar suas finanças. Uma segunda edição, com abordagem mais técnica, já se encontra em fase de desenvolvimento, ampliando o alcance do conhecimento.
Romero defende que a elaboração do orçamento não é um evento único, mas um processo contínuo. O controle exige atualização mensal, especialmente para aqueles que enfrentam dívidas. Além do planejamento de curto prazo, ele aconselha as famílias a visualizarem horizontes maiores: de seis meses, cinco anos, dez anos e, crucialmente, o futuro de longo prazo, garantindo uma visão estratégica e duradoura.
A mensagem central do educador financeiro é cristalina: não existe solução duradoura para o problema das dívidas sem uma profunda mudança de comportamento. Embora a renegociação possa oferecer um respiro, apenas a organização do orçamento capacita o indivíduo a emergir do caos, retomar as rédeas financeiras, construir uma reserva de emergência, investir e, finalmente, transformar sua relação com o dinheiro, impactando sua dignidade e autonomia.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário