DIPLOMACIA E INVESTIMENTO

Empresários brasileiros buscam novos mercados em Angola para ampliar o agronegócio

Empresários reunidos em evento de negócios em Angola.
Missão empresarial brasileira em Luanda busca fortalecer parcerias no setor de agronegócio.

A busca por novos mercados após o aumento de tarifas pelos Estados Unidos leva 30 empresários a Luanda para fortalecer o Programa de Investimento Produtivo Agropecuário Brasil–Angola.

O aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros forçou o governo e o setor privado a acelerar a diversificação de seus parceiros comerciais. Como resposta direta a esse novo cenário, 30 empresários brasileiros iniciaram em Luanda uma agenda de negócios voltada a explorar oportunidades de investimento em Angola. O objetivo central da missão é converter a proximidade política entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e João Lourenço em acordos concretos de produção local. A estratégia prioriza o agronegócio, setor em que o Brasil detém vantagens competitivas pela expertise em agricultura tropical. Segundo o economista Roberto Gianetti da Fonseca, ex-secretário-executivo da Camex (Câmara de Comércio Exterior), o momento exige uma mudança de paradigma. “Com o tarifaço, temos que buscar mercados. A África é uma oportunidade fantástica”, afirma. Para o especialista, que acompanha as relações comerciais entre Brasil e África há décadas, a solução não é apenas vender produtos brasileiros, mas sim investir em inovação e produção local em solo africano. O projeto ganhou corpo com a criação do Programa de Investimento Produtivo Agropecuário Brasil–Angola, formalizado em 2025. Em maio, uma missão liderada pelo ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, apresentou uma proposta de acordo bilateral de US$ 120 milhões. O plano prevê a concessão de 20 mil hectares em províncias como Cuanza Norte, Uíge e Malanje para produtores de Mato Grosso e Bahia, focando na transferência de tecnologia do Cerrado. Angola, que possui 37 milhões de habitantes, enfrenta um desafio de segurança alimentar, com a produção interna atendendo apenas 37% das necessidades do mercado. “A população cresce a uma taxa exponencial. Como deixar de olhar para Nigéria, Angola e outros países africanos como parceiros?”, questiona Gianetti. O financiamento da iniciativa contará com suporte do BNDES, do Fundo Soberano de Angola e do Banco do Brasil, através do Programa de Financiamento às Exportações (Proex). Além do plantio, o modelo de negócio visa exportar máquinas, insumos e infraestrutura brasileira, consolidando uma cadeia produtiva completa. Para a ex-ministra Kátia Abreu, a expansão para o continente africano reafirma a liderança técnica do Brasil. “Na agricultura tropical, ninguém é melhor que o Brasil. Temos 50 anos de experiência”, destaca, ressaltando que o país pode ocupar este espaço estratégico de forma complementar aos investimentos chineses em infraestrutura.

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