ALINHAMENTO POLÍTICO
Robério Paulino: "Allyson e Álvaro Dias representam a mesma direita"
Pré-candidato do PSOL avalia cenário de 2026 e propõe erradicar analfabetismo em dois anos, além de 5 milhões de árvores.
O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte pelo PSOL, Robério Paulino, afirmou nesta sexta-feira, 15/05/2026, que não distingue ideologicamente os ex-prefeitos Allyson Bezerra, de Mossoró, e Álvaro Dias, de Natal. Para Paulino, ambos representam a mesma vertente da direita conservadora no cenário político potiguar, uma avaliação crucial para as eleições de 2026 que define os campos em disputa e orienta o eleitorado sobre as propostas em jogo para o futuro do Estado.
Durante entrevista ao Diário do RN, Robério Paulino detalhou sua percepção sobre o espectro político no Estado. “Eu não vejo uma candidatura de centro e outra de direita. Eu vejo duas candidaturas de direita. Allyson e Álvaro são do mesmo campo da direita”, declarou ao analisar as movimentações para o próximo pleito. Paulino argumentou que, apesar das tentativas de Allyson Bezerra em construir uma imagem moderada, seu vínculo com o União Brasil o insere em um partido de orientação nitidamente conservadora. “O União Brasil é um partido de direita. Está no Centrão, votando contra pautas progressistas no Congresso Nacional”, ressaltou, destacando o impacto dessas escolhas na vida dos cidadãos. O pré-candidato do PSOL criticou ainda a postura de Allyson sobre o fim da escala 6x1. “Ele falou que é a favor do fim da escala, mas qual é a posição do partido dele? O União Brasil é contra. Então ele sabe que a maioria do povo do Rio Grande do Norte vai votar em Lula e tenta não chocar esse eleitorado”, afirmou, apontando uma possível dissonância entre o discurso e a prática política. Robério Paulino também acusou o ex-prefeito de Mossoró de incoerência, ao se aproximar de grupos políticos tradicionais. “Ele fez ascensão política criticando oligarquias e hoje está abraçado com as principais oligarquias do Estado, os Alves e os Maia”, disse, levantando questionamentos sobre a consistência de sua trajetória. Na visão de Paulino, a gestão de Allyson em Mossoró demonstrou uma relação difícil com os servidores públicos. “Ele tratou os servidores de forma muito dura, muito intolerante e intransigente. Se comportou como inimigo dos servidores públicos”, pontuou, evidenciando o desgaste nas relações trabalhistas e o impacto na prestação de serviços essenciais.
Sobre Álvaro Dias, Robério Paulino o descreveu como representante de uma direita “radical neoliberal”. O pré-candidato condenou veementemente as declarações de Dias sobre uma possível privatização ou federalização da UERN, alertando para as consequências sociais de tais medidas. “Álvaro e Rogério Marinho são inimigos do serviço público. Se depender deles, privatizam tudo. Num país pobre como o Brasil, a população precisa da escola pública e da saúde pública”, enfatizou, sublinhando a importância vital desses setores para a dignidade e bem-estar da sociedade potiguar. Paulino defendeu, ao contrário, o fortalecimento da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte como um motor de desenvolvimento regional. “Eu não privatizaria nem federalizaria a UERN. Nós vamos fortalecer, ampliar e abrir mais campos avançados. Uma universidade estadual é uma alavanca fundamental para o desenvolvimento do Estado”, projetou, mostrando uma visão de investimento no capital humano e intelectual.
Ao avaliar a pré-candidatura de Cadu Xavier, do PT, Robério Paulino associou-o ao desgaste da atual gestão da governadora Fátima Bezerra. “Cadu carrega o desgaste do governo da professora Fátima, um dos governos mais rejeitados do país. Eu lamento profundamente porque torci pelo governo dela, mas acho que deixou muito a desejar”, declarou, expressando sua frustração com a administração. Entre as críticas, Paulino citou desafios na educação estadual e na gestão de greves do funcionalismo. “Por que o analfabetismo não acabou? Por que o IDEB do Rio Grande do Norte continua tão baixo depois de dois mandatos de uma professora? O PT chegou a judicializar greve das trabalhadoras da saúde”, questionou, realçando a urgência de melhorias na educação e o respeito aos direitos dos trabalhadores.
Apesar das ressalvas, Robério Paulino confirmou a manutenção do diálogo com o PT, não descartando futuras alianças, desde que pautadas por um compromisso programático sólido. “No momento, o PSOL pretende apresentar suas propostas. Mas, se houver compromisso do PT com essas propostas que estamos defendendo, tudo é conversável”, explicou, estabelecendo as condições para um possível entendimento. Ele deixou claro, contudo, que não concederá “apoio em branco”. “O PT se compromete a elevar a educação em tempo integral para 50%? Se compromete a acabar com o analfabetismo? A valorizar professores? A plantar cinco milhões de árvores? Se houver compromisso com isso, a conversa pode avançar”, enumerou, delineando as prioridades que considera inegociáveis.
Ao detalhar suas propostas de governo, Robério Paulino enfatizou a intenção de promover mudanças estruturais profundas no Estado, com foco especial na educação. “Vamos fazer um grande mutirão para erradicar o analfabetismo em até dois anos, envolvendo professores e estudantes da UFRN, UERN, UFERSA e outras instituições”, planejou, visando transformar a realidade educacional potiguar. O professor também propõe uma significativa expansão do número de escolas estaduais em tempo integral. “O Rio Grande do Norte não chega a 30% de escolas em tempo integral, enquanto Ceará, Pernambuco e Piauí já têm cerca de 70%. Nossa meta é chegar a 50% em quatro anos”, afirmou, mostrando um plano ambicioso para equiparar o Estado a outros modelos de sucesso. Na esfera econômica, Paulino defende uma industrialização acelerada. “Não podemos continuar importando produtos básicos que poderiam ser produzidos aqui. Precisamos construir nossas próprias indústrias e governar com a inteligência das universidades”, defendeu, apontando para a criação de empregos e o fortalecimento da economia local. Uma proposta marcante é o plantio de cinco milhões de árvores no semiárido potiguar já no primeiro mandato. “O nosso semiárido está virando deserto rapidamente. Vamos plantar árvores nativas e frutíferas para recuperar áreas degradadas, gerar empregos e fortalecer uma agroindústria sustentável”, concluiu, unindo desenvolvimento econômico à preservação ambiental.
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