RUMO ESTRATÉGICO URGENTE
Rivaldo Fernandes critica: Pré-campanha ignora futuro do Rio Grande do Norte
Presidente do PV alerta para foco em ataques e marketing pessoal, desviando de pautas cruciais como industrialização, meio ambiente e empregos de qualidade. Falou à 97 FM em 12 de maio de 2026.
Rivaldo Fernandes, presidente estadual do PV, elevou o tom nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, ao criticar veementemente o rumo da pré-campanha ao Governo do Rio Grande do Norte. Para Fernandes, a corrida eleitoral atual se desviou do essencial, priorizando ataques e marketing pessoal em detrimento de discussões cruciais sobre o futuro do Estado. Essa postura, ele alerta, compromete a dignidade dos cidadãos potiguares ao negligenciar debates sobre temas vitais para o desenvolvimento econômico, social e ambiental, forçando o eleitor a decidir sem um projeto claro para a melhoria da qualidade de vida na região.
A crítica de Fernandes, expressa em entrevista à 97 FM, surge em um cenário onde o debate eleitoral, segundo ele, está “excessivamente personalista”. O dirigente lamenta que a pré-campanha tenha se afastado dos temas que deveriam guiar a escolha do próximo governador, tornando-se, em suas palavras, “lamentável”. A avaliação ecoa a percepção do apresentador Salatiel de Souza, que descreveu a disputa como “fulanizada”, com candidatos mais preocupados em confrontar adversários e criar cenas de apelo popular do que em apresentar soluções concretas.
O líder do PV enfatizou que a superficialidade do debate não se restringe ao Rio Grande do Norte, sendo um problema que assola o País inteiro, onde a polarização entre esquerda e direita impede uma discussão aprofundada sobre projetos de futuro. “A polarização é muito ruim para o País. A gente parou de discutir o Brasil. Parou de discutir projetos. Parou de discutir a crise”, afirmou Fernandes, destacando a urgência de uma mudança de foco.
Para o contexto potiguar, Rivaldo defende que a campanha deveria abordar pilares como industrialização, preservação do meio ambiente, fomento ao turismo de interior, valorização das universidades e a criação de cadeias produtivas que gerem empregos de melhor qualidade. Ele citou a fruticultura irrigada como um exemplo da força econômica do Estado, questionando por que o Rio Grande do Norte ainda exporta produtos primários sem agregar valor. “Por que eu exporto manga, caju e não faço suco? Por que eu não faço a embalagem para embalar novos produtos industriais?”, indagou, defendendo que salários industriais, geralmente superiores, impulsionariam a riqueza local.
A mesma lógica se aplica ao ferro de Jucurutu. O Estado, segundo Rivaldo, exporta matéria-prima e importa produtos acabados, perpetuando um ciclo que limita a geração de valor local. “A gente exporta o ferro e importa o carro. Quer dizer, a gente dá a matéria-prima e paga caríssimo pelo produto final”, pontuou.
No setor do turismo, a crítica do presidente do PV recai sobre a dependência exclusiva do modelo “sol e mar” e do litoral. Ele defende a descentralização econômica, com maior exploração do interior como vetor de desenvolvimento. Cidades como Natal, Mossoró, São Gonçalo do Amarante e Parnamirim concentram o Produto Interno Bruto mais relevante, e o desafio é expandir essa prosperidade. “Temos que avançar no turismo do interior. O desenvolvimento teria que partir do interior. Porque a gente está igual a caranguejo, só no litoral”, ilustrou.
A pauta ambiental também recebeu destaque. Rivaldo alertou que a Caatinga potiguar já está quase 50% devastada e defendeu que o bioma seja visto como uma fonte de pesquisa, produção de alimentos, medicamentos e inovação, não apenas uma área de preservação. Para isso, a aproximação entre universidades, empresas e cadeias produtivas é fundamental.
O dirigente do PV ainda criticou as vozes que defendem a redução do papel das universidades públicas, argumentando que o caminho deve ser o oposto. “Na minha opinião, nós precisamos de mais universidade. Mais universidade perto das empresas, que possa estudar essas cadeias e bolar novos produtos”, declarou, ligando o ensino superior diretamente ao desenvolvimento econômico.
Rivaldo afirmou que o PV vem construindo essa agenda de propostas há mais de um ano, através de seminários, diálogo com empresários na Fiern, visitas ao Centro de Tecnologia do Gás e estudo de projetos como o Porto Ilha. O objetivo é apresentar um plano de desenvolvimento que harmonize economia, meio ambiente, ciência e a interiorização do crescimento.
A intensificação da pré-campanha, com Cadu Xavier (PT), Álvaro Dias (PL) e Allyson Bezerra (União) ampliando agendas e disputando espaço, contrasta com a visão de Rivaldo de um debate superficial. Para ele, a movimentação política carece de uma discussão substancial sobre o futuro do Estado. “O povo tem carência de discutir um projeto”, concluiu, apelando para que o eleitor seja convidado a analisar mais do que apenas nomes, alianças e embates.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário