AVANÇO ECONÔMICO
Rio Grande do Norte lidera renda per capita no Nordeste pelo 3º ano
Dados de 2025 do IBGE mostram R$ 1.779 mensais, porém desigualdade é a 3ª maior do Brasil.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou nesta sexta-feira, 08 de maio de 2026, que o Rio Grande do Norte alcançou, em 2025, a maior renda mensal real domiciliar per capita do Nordeste, pelo terceiro ano consecutivo, registrando o valor de R$ 1.779. Este dado, revelado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua sobre Rendimento de Todas as Fontes, reflete um crescimento de 9,41% em relação a 2024, quando a renda per capita no estado era de R$ 1.626, indicando um avanço no poder de compra dos potiguares, mas também evidenciando complexos desafios na distribuição de riqueza.
Apesar do notável avanço, o rendimento potiguar de R$ 1.779 em 2025 permaneceu abaixo da média nacional, que alcançou R$ 2.264 no mesmo período. Contudo, o crescimento de 9,41% superou o registrado no país, que foi de 6,89%. O levantamento do IBGE também aponta que a massa de rendimento mensal domiciliar per capita do Rio Grande do Norte atingiu a marca histórica de R$ 6,145 bilhões, o maior valor desde o início da série em 2012.
O IBGE esclarece que o rendimento domiciliar per capita corresponde à soma dos ganhos de todos os moradores da residência, incluindo salários, aposentadorias, pensões e benefícios sociais, dividida pelo número total de habitantes do domicílio.
No Rio Grande do Norte, 66,4% da renda domiciliar per capita originaram-se do rendimento habitualmente recebido em todos os trabalhos. Os 33,6% restantes tiveram origem em fontes complementares, com destaque para aposentadorias e pensões, que responderam por 24% do total, e os programas sociais do governo, responsáveis por 6,3%.
O estado apresentou o terceiro menor percentual de participação do trabalho na composição da renda per capita no Brasil, ficando à frente apenas do Piauí e de Alagoas, o que sublinha a importância das fontes não laborais para a subsistência de muitas famílias.
Apesar do crescimento da renda média, o Rio Grande do Norte surge como o terceiro estado mais desigual do Brasil no indicador de rendimento domiciliar per capita. Essa disparidade ilustra um cenário onde o avanço econômico não se traduz em equidade para todos.
Os dados revelam que os 10% da população potiguar com maiores rendimentos recebiam, em média, 16,3 vezes mais do que os 40% da população com menores rendimentos. O estado ficou atrás apenas do Distrito Federal, com uma diferença de 19,7 vezes, e do Rio de Janeiro, com 16,4 vezes, evidenciando uma concentração preocupante de riqueza.
Para ilustrar essa diferença, no Rio Grande do Norte, os 40% mais pobres registraram um rendimento médio mensal de R$ 754, enquanto os 10% mais ricos alcançaram uma média de R$ 7.897. O 1% da população com os maiores rendimentos teve uma renda domiciliar per capita média impressionante de R$ 20.047, um contraste que acentua as disparidades.
O índice de Gini do estado, um indicador que mede a concentração de renda, ficou em 0,540, o terceiro maior do país. Quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade, reforçando a urgência de políticas de redistribuição.
A PNAD Contínua também apontou que 34% dos domicílios potiguares receberam valores do Bolsa Família, do Benefício de Prestação Continuada da Lei Orgânica da Assistência Social (BPC-LOAS) ou de outros programas sociais em 2025. Este foi o menor percentual entre os estados nordestinos, uma posição que o RN mantém desde 2021.
Entre os beneficiários do Bolsa Família, a renda per capita média foi de R$ 637 mensais, enquanto os que recebiam BPC-LOAS registraram uma média de R$ 1.048 por mês. Nos domicílios sem o auxílio de programas sociais, a renda per capita alcançou R$ 2.458 mensais, destacando o papel vital desses programas no suporte a famílias vulneráveis.
O levantamento revelou ainda uma forte correlação entre rendimento e nível de escolaridade dos trabalhadores potiguares, sublinhando a importância do investimento em educação.
Pessoas ocupadas com ensino superior completo receberam, em média, R$ 6.613 mensais em 2025, um valor cerca de três vezes maior do que os trabalhadores com apenas ensino médio completo ou equivalente, cuja renda média foi de R$ 2.127. Para aqueles sem instrução, o rendimento médio caiu para R$ 939, uma redução de 15,63% em comparação com 2024, evidenciando as profundas desvantagens da falta de acesso à educação.
O rendimento médio de todas as fontes da população residente com renda atingiu R$ 2.731 em 2025, representando uma alta de 8,11% frente ao ano anterior e o maior valor de toda a série histórica. Já o rendimento habitualmente recebido em todos os trabalhos chegou a R$ 3.003, ultrapassando pela primeira vez a marca dos R$ 3 mil no estado, um marco positivo para a economia potiguar.
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