FÁRMACO EXPERIMENTAL REVOLUCIONA
Retatrutida da Eli Lilly alcança perda de peso comparável à bariátrica em testes
Novo medicamento injetável Retatrutida apresentou resultados de perda de peso de até 31,9 kg em estudo, aproximando-se de eficácia da cirurgia bariátrica.
Uma nova esperança para o tratamento da obesidade surge com a Retatrutida, medicamento experimental desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly. Em estudo clínico internacional, a substância demonstrou resultados notáveis, com uma parcela significativa dos participantes alcançando perdas de peso superiores a 30% após cerca de um ano e meio de uso. Esses índices se aproximam da eficácia observada em procedimentos de cirurgia bariátrica.
Os dados provêm do estudo clínico TRIUMPH-1, uma pesquisa de fase três que avaliou o impacto da Retatrutida em 2.239 indivíduos com sobrepeso ou obesidade e pelo menos uma comorbidade associada. A pesquisa é crucial por representar a penúltima etapa antes da submissão dos resultados às agências reguladoras, definindo o futuro da comercialização do medicamento.

Os resultados divulgados pela Eli Lilly revelam que 45,3% dos pacientes que receberam a dose mais alta da Retatrutida (12 mg) atingiram uma redução de peso igual ou superior a 30% em 80 semanas. Essa marca é considerada comparável aos efeitos de algumas cirurgias bariátricas.
A Retatrutida integra a nova geração de medicamentos injetáveis contra a obesidade, conhecidos como "canetas emagrecedoras". Apesar dos resultados animadores, a substância permanece em fase experimental e aguarda aprovação regulatória.
Os participantes do estudo foram distribuídos em quatro grupos: três receberam doses semanais de 4 mg, 9 mg ou 12 mg da Retatrutida, enquanto um quarto grupo recebeu placebo. O delineamento duplo-cego garantiu que nem os participantes nem os pesquisadores soubessem qual tratamento estava sendo administrado.
Ao final das 80 semanas de acompanhamento, a perda de peso média variou conforme a dose. No grupo que recebeu 4 mg, a redução foi de aproximadamente 19% (cerca de 21,4 kg). Já com a dose de 9 mg, a perda média atingiu 27,5% (aproximadamente 29,2 kg).
O grupo que utilizou a dose máxima de 12 mg registrou a maior perda média, com 31,9% (cerca de 28,3% do peso corporal). Para contextualizar, a dose máxima do Mounjaro, outro medicamento da Eli Lilly, alcança cerca de 25,3% de perda de peso em 88 semanas.
Kenneth Custer, presidente da Lilly Cardiometabolic Health, destacou o potencial da Retatrutida como uma nova fronteira terapêutica. "Da dose de 4 mg, alcançando quase 20% de perda de peso... até a dose de 12 mg, que proporcionou um nível de perda de peso há muito associado à cirurgia bariátrica, a Retatrutida oferece o potencial de uma abordagem centrada no paciente para a obesidade", afirmou em nota.
A Retatrutida representa um avanço significativo em relação a medicamentos atuais para obesidade e diabetes tipo 2. Diferente de agonistas de GLP-1 como Ozempic e Wegovy (Novo Nordisk), ou mesmo o Mounjaro que atua em GLP-1 e GIP, a Retatrutida é um agonista triplo. Ela estimula simultaneamente os receptores de GLP-1, GIP e glucagon, o que, segundo os pesquisadores, pode explicar seu potente efeito na redução do peso. Com a dose máxima, 45,3% dos pacientes perderam mais de 30% do peso, e 27,2% atingiram mais de 35% de redução.
Os benefícios vão além da balança. Entre os usuários da dose mais alta, 65,3% saíram da classificação de obesidade (IMC abaixo de 30). Para pacientes com obesidade grau 3 (IMC acima de 40) no início do estudo, 37,5% normalizaram seu IMC ao final do tratamento.
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