FALHAS E OMISSÕES
Relatório do Cenipa aponta cultura de omissões na Voepass
Investigação revela que empresa maquiou manutenções e ocultou panes em diários de bordo, contribuindo para o desastre aéreo com 62 vítimas em 2024.
O desastre aéreo que resultou na morte de 62 pessoas em 2024, no interior de São Paulo, foi o desfecho de uma sucessão de falhas sistemáticas na rotina operacional da Voepass. Conforme revelado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), a companhia sediada em Ribeirão Preto (SP) mantinha um ambiente de fragilidades que comprometiam a segurança dos passageiros.
O relatório final, divulgado na quinta-feira (23), aponta que a empresa praticava a chamada "maquiagem" de prazos para liberação de aeronaves, omitia panes técnicas nos diários de bordo e operava com infraestrutura precária em bases secundárias. O investigador do Cenipa, tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, classificou o cenário como uma "normalização de desvios", onde pilotos e mecânicos evitavam registros formais para garantir que os aviões permanecessem operacionais.
A investigação destacou que a aeronave envolvida no acidente apresentava um erro no limpador de para-brisa, fator que, aliado a outras vulnerabilidades, restringia sua capacidade de voo em condições de chuva. Além das falhas de manutenção, o documento aponta deficiências na fiscalização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e na capacitação das equipes, frequentemente submetidas à fadiga e à falta de supervisão adequada.
Em nota, a Voepass declarou que o acidente representa o episódio mais grave de sua história e afirmou prestar apoio integral aos familiares das vítimas. A companhia assegurou que continua colaborando de forma transparente com as autoridades para o esclarecimento total dos fatos.
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