PRESSÃO EXTERNA
Regiane Bressan: EUA podem "tensionar" eleições no Brasil por receio da China
Especialista em Relações Internacionais da Unifesp, Regiane Bressan, avalia que a política externa americana visa manter influência regional, com potenciais impactos nas eleições brasileiras e na relação com a China.
[ { "type": "paragraph", "content": "A especialista em Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Regiane Bressan, avalia que os Estados Unidos podem intensificar a pressão sobre a América Latina, com especial atenção às eleições no Brasil, devido ao temor da crescente influência da China na região." }, { "type": "paragraph", "content": ""Eu acredito que os Estados Unidos continuarão tensionando a nossa região e acho que vão tensionar as eleições no Brasil", afirmou Bressan, em entrevista ao BBC News Brasil. A professora ressalta que essa influência externa é um fator a ser considerado diante do cenário político regional, marcado por um movimento de consolidação de governos de direita em diversos países." }, { "type": "paragraph", "content": "O cenário latino-americano tem visto vitórias presidenciais que reforçam a tendência de governos de direita. No Peru, por exemplo, Keiko Fujimori foi eleita após uma disputa acirrada com o candidato de esquerda, Roberto Sánchez. Esse movimento, segundo Bressan, reflete uma descrença na política tradicional, o apelo das redes sociais e a busca por soluções rápidas para problemas complexos." }, { "type": "paragraph", "content": "A especialista aponta que governos de direita nem sempre significam alinhamento automático com os Estados Unidos. Ela exemplifica a situação do México, onde a presidente Claudia Sheinbaum, de esquerda, busca manter autonomia apesar da forte interdependência histórica com os EUA. Em contrapartida, José Antonio Kast, no Chile, e Abelardo de la Espriella, na Colômbia, eleitos com discurso de segurança pública, mimetizam tendências populistas e podem flertar com o autoritarismo, segundo a análise." }, { "type": "paragraph", "content": "A influência dos Estados Unidos na região é vista como uma constante, especialmente após o documento divulgado em 5 de dezembro de 2025, onde os EUA expressaram interesse em exercer maior domínio e influência. Essa atuação, na visão de Bressan, é uma resposta à perda de hegemonia mundial para a China, que, embora discreta, tem expandido sua presença na América Latina." }, { "type": "paragraph", "content": ""Não tenho provas concretas sobre isso, mas não há como não acreditar que não haja interferência", disse Bressan, referindo-se à atuação dos EUA. Ela detalha que essa interferência pode se manifestar através de pressões econômicas, como tarifas, ou pelo apoio a candidatos alinhados aos seus interesses. A imprevisibilidade de líderes como Donald Trump, aliás, dificulta o planejamento e a previsibilidade nas relações internacionais, gerando insegurança." }, { "type": "paragraph", "content": "A especialista alerta que governos extremistas e populistas representam um risco de migração para o autoritarismo. A descrença na política tradicional, aliada à busca por respostas imediatas, favorece a ascensão de candidatos outsiders. Esse ciclo, segundo Bressan, gera medo e insegurança, impulsionando a procura por líderes que prometem soluções rápidas, muitas vezes à custa do enfraquecimento das instituições democráticas." }, { "type": "paragraph", "content": "Diante desse cenário, Bressan defende a integração regional e o pragmatismo na política externa brasileira. Ela cita o exemplo da estratégia do Brasil no G20, ao convidar Javier Milei, e a importância de manter relações funcionais e baseadas em interesses mútuos, mesmo com governos de diferentes espectros ideológicos. A busca por alternativas às pressões americanas, como a aproximação com a União Europeia, é vista como fundamental para garantir a soberania e o desenvolvimento da região." } ]
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