ESCÂNDALO NO ESTADO

Quem é Caroline Soares Barros, a 'Mulher da Mala' ligada a desvios no IRM

Caroline Soares Barros sendo apontada como a Mulher da Mala pelo Ministério Público
Caroline Soares Barros, a “Mulher da Mala” — Foto: Reprodução/TV Globo

Esquema movimentou mais de R$ 86 milhões em contratos fraudulentos no Instituto Rio Metrópole; ex-fiscal realizou saques vultosos com escolta armada.

A investigação conduzida pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) revelou um esquema estruturado de desvio de verbas públicas que movimentou mais de R$ 86 milhões no Instituto Rio Metrópole (IRM). Caroline Soares Barros, ex-fiscal da autarquia, foi identificada pelo órgão como a "Mulher da Mala", figura central na operação que, nesta sexta-feira, 10/07/2026, traz à tona a captura de órgãos estaduais por organizações criminosas.

Entre maio de 2025 e janeiro de 2026, Caroline Soares Barros realizou 13 saques em dinheiro vivo, totalizando R$ 3 milhões. A magnitude da audácia impressionou as autoridades: a ex-fiscal utilizava escolta armada, fornecida por uma empresa ligada a um delegado da Polícia Civil, para retirar os valores em agências bancárias de Teresópolis, na Região Serrana.

A decisão que culminou na prisão de Caroline Soares Barros e outros envolvidos integra a Operação Ouroboros, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf). A Justiça determinou o afastamento de servidores e o sequestro de bens, em uma medida que, segundo o juízo, reflete a necessidade de estancar o uso de estruturas do Estado para benefício privado. O caso ainda cabe recurso das defesas.

O esquema funcionava através do direcionamento de licitações para empresas previamente selecionadas, que firmavam contratos fictícios com o IRM. Para além de Caroline Soares Barros, a lista de presos inclui nomes de peso na estrutura do instituto, como o presidente Davi Perini Vermelho, o Didê, e o delegado Franquis Dias Nepomuceno, este último apontado como proprietário da empresa de vigilância Rioforte, que garantia a segurança das retiradas de numerário.

A investigação, que teve início após uma denúncia sobre um saque isolado de R$ 500 mil em janeiro, expôs o que o magistrado responsável classificou como o "fundo do poço" da administração estadual. O Governo do Estado do Rio declarou que auditorias internas, iniciadas em março, colaboraram para o desmantelamento da rede que drenava recursos fundamentais para áreas como transporte e saneamento da Região Metropolitana.

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