CRIME ORGANIZADO E FINANCEIRO

Investigação aponta esquema de lavagem de dinheiro de facções criminosas operado via SN Cell Peças, Acessórios e Equipamentos Ltda

Samuel Morais da Hora ostentando em viagem internacional antes de ser alvo da Operação Hawala.
Samuel Morais da Hora em registro durante viagem ao exterior enquanto é investigado pelo MPRJ. Foto: Reprodução

Suspeito declarado como autônomo movimentou milhões enquanto ostentava viagens de luxo. Operação Hawala desarticulou rede de empresas de fachada em vários estados.

A Polícia Civil do RJ e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) identificaram que um empresário, formalmente registrado como autônomo, utilizava uma loja de eletrônicos no Centro do Rio para lavar dinheiro de facções criminosas, incluindo o Terceiro Comando Puro (TCP). A decisão pelas medidas cautelares, que incluem bloqueio de bens e participações societárias, foi emitida pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do RJ.

A ofensiva, denominada Operação Hawala, foi deflagrada em 15 de julho, quando equipes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), cumpriram 10 mandados de prisão e 37 de busca e apreensão em diversos estados brasileiros.

Samuel Morais da Hora, de 36 anos, é apontado como um dos principais articuladores do esquema. Embora possua uma renda mensal declarada de R$ 4 mil, as investigações revelaram uma disparidade absoluta entre seus rendimentos lícitos e o estilo de vida exibido em redes sociais, com viagens frequentes a destinos como Nova Iorque, Grécia, Paris e Dubai. O suspeito figura como sócio da SN Cell Peças, Acessórios e Equipamentos Ltda, empresa sediada na região da Uruguaiana que movimentou R$ 14,8 milhões em apenas nove meses.

O caso expõe a fragilidade do sistema de controle financeiro perante a estratégia de "smurfing", técnica utilizada pela organização criminosa que consiste em realizar depósitos fracionados em espécie para contornar a fiscalização. A investigação, que teve origem na Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), rastreou uma complexa rede de empresas de fachada interligadas a um contador comum e com ramificações em São Paulo e Foz do Iguaçu. Até o momento, 10 pessoas foram presas no bojo das investigações.

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