CRIME ORGANIZADO E CORRUPÇÃO
Investigação revela elos entre coronéis da PM e integrantes do PCC
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal indicam que oficiais da reserva facilitavam acesso a estruturas da corporação em troca de favores e propinas.
Uma teia de contatos entre oficiais da Polícia Militar e suspeitos de integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) veio à tona após análises de mensagens mantidas por investigados. O material, que inclui convites para viagens, pedidos de favores e indícios de pagamentos de propina, foi detalhado pelo Ministério Público de São Paulo após compartilhamento de dados pela Polícia Federal.
O foco das apurações recai sobre o coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins, que deixou a ativa da PM em 2019. Relatórios dos promotores apontam que o oficial mantinha relação estreita com Cleber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza, ambos apontados por envolvimento com a facção. A investigação sugere que o coronel utilizava sua influência para conectar o grupo a outros policiais.
Favores e pagamentos
Os diálogos revelam episódios como convites para hospedagens em colônias de férias da corporação, incluindo unidades em Campos do Jordão e Boraceia. Além da facilitação de acessos, a PF apura a movimentação de vultosos valores em espécie. Em outubro de 2022, uma foto de uma sacola contendo R$ 270 mil foi compartilhada no grupo, levantando suspeitas de que os recursos tivessem como destinatários o coronel Pereira Martins e o coronel José Augusto Coutinho.
A origem do dinheiro estaria ligada a esquemas de lavagem que envolviam comerciantes da região do Brás, com fluxos financeiros oriundos de tráfico e golpes, dissimulados por meio de criptomoedas antes do saque em espécie.
Defesa e desdobramentos
O coronel José Augusto Coutinho, ex-comandante-geral da PM e da Rota, também é citado no inquérito. A defesa do oficial nega qualquer prática ilícita, classificando as menções como incidentais. O caso também aponta supostos pagamentos a policiais civis, com pedidos de valores que chegariam a R$ 300 mil para interceder em investigações.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que as corregedorias das polícias Militar e Civil estão adotando providências para apurar as denúncias com rigor. A investigação segue em andamento, visando desmantelar a possível rede de cooptação dentro das forças de segurança.
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