DINHEIRO PÚBLICO DESVIADO

Fraude milionária no INSS financiou frota de carros de luxo

Veículos de luxo apreendidos pela Polícia Federal em galpão relacionado ao esquema da Conafer.
Frota de luxo apreendida pela PF durante a operação contra fraudes na Previdência.

Investigação da Polícia Federal revela que recursos subtraídos de aposentados foram convertidos em veículos de alto padrão e usados como propina para agentes públicos.

A Polícia Federal (PF) revelou que o esquema criminoso operado pela Confederação Nacional dos Agricultores e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) utilizou mais de R$ 708 milhões desviados do INSS para sustentar uma vida de ostentação. A decisão de realizar o bloqueio dos bens e sequestro dos veículos foi tomada pela Justiça no âmbito da Operação Sem Desconto, visando interromper o fluxo de recursos que retirava a dignidade de idosos e indígenas vulneráveis para abastecer garagens de luxo. O esquema, que permanece sob investigação judicial enquanto aguarda análise da Procuradoria-Geral da República (PGR) para possíveis denúncias, utilizava empresas de fachada no Distrito Federal e em São Paulo para lavar o dinheiro. Em salas de apenas 20 metros quadrados, sedes fictícias movimentavam somas milionárias para adquirir veículos como Porsche 718 Boxster, BMW X5 e Land Rover Defender. Em Presidente Prudente (SP), um galpão servia como base logística para cerca de 40 automóveis. Além de servir ao conforto dos envolvidos, a frota era utilizada como moeda de corrupção. A investigação aponta que ex-dirigentes do INSS, incluindo o ex-procurador-geral e o ex-diretor de Benefícios, receberam veículos de luxo como forma de garantir o funcionamento da fraude dentro da autarquia. A ostentação era monitorada pela PF através de diálogos em que os envolvidos buscavam carros mais impactantes para reforçar a imagem de poder da cúpula da organização. O escândalo, que ganhou visibilidade a partir de reportagens do Metrópoles em dezembro de 2023, culminou na deflagração da Operação Sem Desconto em 23/4, resultando no indiciamento de diversos integrantes da Conafer e na demissão de altos cargos do governo. Atualmente, os bens apreendidos, incluindo caminhões e aeronaves executivas, encontram-se sob restrição judicial enquanto o relatório final segue para avaliação do Supremo Tribunal Federal (STF).

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