DESVIO DE CONDUTA

Investigação revela elos entre coronéis da PM e integrantes do PCC

Imagem ilustrativa de documentos policiais sobre a relação entre PM e PCC.
Investigadores encontraram indícios de pagamentos de propinas e trocas de favores entre policiais e o PCC.

Documentos da Polícia Federal expõem trocas de favores e propinas entre oficiais da reserva e operadores financeiros da facção criminosa em São Paulo.

Uma série de mensagens obtidas pela Polícia Federal e analisadas pelo Ministério Público de São Paulo revelou contatos frequentes entre oficiais da Polícia Militar e suspeitos de integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação expõe como a influência de coronéis da reserva era utilizada para favorecer interesses de membros da facção, comprometendo a integridade da corporação e o dever público de garantir a segurança da sociedade.

O material, que veio a público após a deflagração de uma operação que resultou na prisão de investigados, detalha desde convites para estadias em colônias de férias até indícios de pagamentos de propinas milionárias. O foco das apurações recai sobre o coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins, apontado pelos promotores como uma ponte entre os criminosos e a estrutura da PM.

Em setembro de 2020, conversas em um grupo de mensagens registraram o convite do oficial para que suspeitos utilizassem a colônia de férias da corporação em Campos do Jordão. Dois anos depois, em setembro de 2022, novas interações reforçaram a proximidade entre o coronel e Robson Martins de Souza, articulador de pagamentos do grupo. Segundo as autoridades, o coronel utilizava sua rede de contatos para facilitar acessos dentro da PM em troca de benefícios.

A investigação aponta que o esquema não se limitava a favores. Em outubro de 2022, uma troca de mensagens exibiu a fotografia de uma sacola contendo R$ 270 mil, quantia que, segundo a PF, poderia ser destinada a oficiais como Luiz Carlos Pereira Martins e o coronel José Augusto Coutinho. O montante faria parte de um ciclo de lavagem de dinheiro que envolvia o tráfico de drogas e golpes, com recursos transacionados por meios digitais e sacados em espécie para ocultar a origem ilícita.

O coronel José Augusto Coutinho, ex-comandante-geral da PM e ex-chefe da Rota, também é citado nas apurações e já responde a outros procedimentos na Corregedoria da PM. A defesa do oficial sustenta que as menções a ele são incidentais e nega qualquer envolvimento com ilícitos. Em paralelo, os investigadores encontraram referências a supostos pagamentos a policiais civis, incluindo solicitações de propina envolvendo delegacias e o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

Enquanto as defesas dos acusados negam as acusações de intermediação financeira para o PCC, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que as corregedorias das polícias Militar e Civil instauraram procedimentos rigorosos para apurar a conduta dos agentes envolvidos. O Ministério Público mantém as investigações em curso para desarticular a rede de influência que, historicamente, fragiliza o combate ao crime organizado.

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