IMPACTO DAS BETS

Quatro em cada 10 mulheres brasileiras apostam ou já jogaram em plataformas online

Gráfico sobre o impacto das apostas online no público feminino.
Levantamento analisa o comportamento e o impacto financeiro das apostas nas mulheres brasileiras.

Pesquisa aponta que 54% das mulheres sentem os efeitos do jogo em suas famílias e aponta a busca por renda extra como um dos principais fatores de adesão.

Quatro em cada 10 mulheres brasileiras (42%) já apostaram ou seguem jogando em plataformas digitais. O levantamento revela que 20% mantêm o hábito atualmente, enquanto 22% já deixaram de apostar. A proporção total de atingidas pelo fenômeno, somando aquelas que jogam e as que convivem com apostadores, alcança 54% da população feminina. Os dados foram divulgados na segunda-feira (17/08/2026) pelo estudo Mulheres e Bets: o Custo das Apostas Online para as Brasileiras e suas Famílias, realizado pelo estúdio Clarice, em parceria com a Estratégia Latina e o Instituto Ideia. Esta é a primeira análise a focar não apenas nos apostadores, mas na rede familiar impactada pelo comportamento. Para muitas entrevistadas, a aposta não é vista como lazer, mas como uma tentativa de gerir o orçamento doméstico e cobrir despesas essenciais, como alimentação e material escolar. O desejo de prover dignidade à família é o principal gatilho explorado pelas plataformas, que se aproveitam do papel social de cuidado historicamente atribuído às mulheres. O julgamento social, porém, é distinto conforme o gênero. Enquanto homens que apostam são frequentemente vistos como provedores em dificuldades, mulheres enfrentam maior estigma e cobrança, sendo questionadas sobre sua responsabilidade como gestoras do lar. Esse cenário leva muitas a esconderem o hábito por vergonha, jogando sozinhas, principalmente no período noturno. O impacto nas relações é severo: 67% das mulheres acreditam que os jogos estão fragmentando famílias. Relatos de brigas, mentiras e episódios de violência doméstica são comuns entre as pessoas afetadas. Além disso, 7% das apostadoras admitem já ter recorrido a agiotas para financiar o jogo. O estudo também alerta para o acesso de crianças e adolescentes, que muitas vezes utilizam o CPF de familiares, com ou sem autorização, para contornar restrições de idade. Diante desse cenário, 62% das mulheres brasileiras defendem a proibição total das apostas online no país.

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