ACORDO EM ANDAMENTO

Putin e Xi não definem detalhes sobre gasoduto Força da Sibéria 2

Presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping em encontro.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, acompanhado do presidente chinês, Xi Jinping, durante recepção em Pequim.

Líderes da Rússia e da China chegam a um "entendimento geral" sobre o projeto bilionário de fornecimento de gás, mas valores e cronograma seguem indefinidos. Obra é prioridade no plano chinês.

A construção do gasoduto Força da Sibéria 2, projeto bilionário para fornecer gás russo à China, avançou pouco em termos de detalhes decisórios. Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, participaram de conversas nesta quarta-feira, 20 de maio de 2026, em Pequim, mas não definiram valores nem um cronograma para a obra. O Kremlin informou, após o encontro, que os líderes chegaram a um "entendimento geral" sobre o empreendimento, considerado uma prioridade estratégica no plano nacional quinquenal chinês para o período de 2026 a 2030.

A expectativa era de aprofundar discussões sobre os aspectos técnicos e financeiros do gasoduto, mas a conclusão principal foi a de que os parâmetros gerais do projeto foram acordados. "O presidente [Putin] disse durante as conversas que, no geral, já existe um entendimento comum sobre os principais parâmetros do projeto Força da Sibéria 2", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, à mídia russa. "Alguns detalhes ainda precisam ser finalizados, mas, em geral, esse entendimento já existe", acrescentou.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, acompanhado do presidente chinês, Xi Jinping, durante recepção em Pequim
Presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping durante recepção em Pequim.

O Força da Sibéria 2 prevê o transporte de 50 bilhões de metros cúbicos (m³) de gás natural por ano, partindo da Península de Iamal, no norte da Rússia, até o norte da China, com trajeto passando pela Mongólia. Atualmente, o projeto se materializa por meio de um memorando de entendimento assinado por Rússia, China e Mongólia em setembro de 2025. A concretização da obra representa uma vantagem mútua: garante à China um fornecimento robusto e contínuo de gás russo, diversificando suas fontes e reduzindo a dependência de regiões como o Oriente Médio, palco de instabilidades recentes que já impactaram o abastecimento chinês devido à guerra no Irã.

Este será o segundo grande empreendimento de gasoduto entre Rússia e China. O primeiro, o Força da Sibéria 1, foi concluído em 2019 e atingiu sua capacidade máxima anual de 38 bilhões de m³ no ano passado. O gasoduto conecta os campos de gás de Iacútia, na Sibéria, a Xangai, na China, sendo um pilar na relação energética bilateral. Em maio de 2025, a Gazprom, estatal russa, anunciou que o Força da Sibéria 1 já havia entregue os primeiros 100 bilhões de m³ de gás natural à China, parte de um contrato de longo prazo que se estende até 2049 e prevê o fornecimento de mais de 1 trilhão de m³.

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