IMPACTO POLÍTICO SÉRIO
PT avalia risco de impacto duradouro em caso envolvendo Jaques Wagner
Analistas apontam que a crise envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) pode ter repercussões significativas para o governo Lula e para as eleições de 2026, com a oposição capitalizando a situação.
A pressão para que Jaques Wagner (PT-BA) deixe a liderança do governo no Senado tem se intensificado, levantando debates sobre quem o substituiria. Em análise no programa Hora H desta terça-feira, 23/06/2026, a analista de Política Julliana Lopes destacou a centralidade da figura de Jaques Wagner no tabuleiro político do Partido dos Trabalhadores.
'Pode ser um perfil que vá facilitar a vida do PT e a articulação com Davi Alcolumbre no Senado, mas também pode ser um perfil que vá ganhar uma projeção maior se for candidato para as eleições de 2026', ponderou Julliana Lopes.
Nomes como Tereza Leitão (PT-PE), Camilo Santana (PT-CE) e Rogério Carvalho (PT-SE) foram mencionados como possíveis substitutos. 'São atores políticos que podem ganhar uma dimensão muito grande se estiverem nessa disputa', afirmou a analista.
Julliana Lopes ressaltou que a oposição tem associado o caso Master ao governo Lula. Na avaliação do PT, essa narrativa que a oposição adotou nas redes sociais torna difícil aliviar a crise apenas com a troca de liderança.
Na Bahia, observa-se um silêncio por parte de opositores do PT em futuras disputas eleitorais, como o ex-deputado ACM Neto (União-BA) e o ex-ministro João Roma (PL-BA). 'A gente tem um universo político com receio do que pode acontecer, a gente não sabe para onde vai essa crise, quem ela vai expor. Temos elementos na Bahia, que disputam com Jaques Wagner, que estão mais silenciosos', comentou a analista.
Pressão política crescente
Segundo Pedro Venceslau, a pressão pela saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado iniciou com o vice-líder do governo na Câmara, Rogério Corrêa (PT-MG), e se expandiu para outros deputados do PT e de partidos aliados, como o PSOL. O entorno de Lula e a SECOM também passaram a pressionar para que o senador tome a iniciativa de deixar o cargo.
Venceslau lembrou que, na semana anterior, o próprio senador concedeu entrevista à Band News para se defender, declarando que Lula havia lhe telefonado em solidariedade e que não deixaria o cargo. 'Aquilo ali tornou mais difícil uma saída honrosa dele, pela porta da frente, segundo os petistas', afirmou Venceslau.
O analista mencionou que Alberto Cantalice, figura histórica do PT no Rio de Janeiro e ligado à Fundação Perseu Abramo, também sugeriu que Wagner pedisse licença da liderança. Cantalice citou como precedente o afastamento temporário de Henrique Hargreaves durante o governo Itamar Franco, no início da década de 1990, que retomou o cargo após provada sua inocência.
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