PATERNIDADE COM PRESENÇA

Empresas mineiras antecipam licença-paternidade estendida para fortalecer vínculos familiares

Dois pais segurando suas respectivas filhas pequenas.
Fernando Figueiredo com sua filha Heloísa e Kelber Lima Simão com Ana Júlia. Foto: Acervo pessoal.

Funcionários da RHI Magnesita relatam como o benefício de 20 dias, que será norma nacional até 2029, transforma a rotina e o apoio pós-parto.

A presença ativa do pai nos primeiros dias de vida de um recém-nascido redefine o bem-estar da unidade familiar. Embora a legislação trabalhista brasileira ainda estabeleça o período padrão de cinco dias, uma lei aprovada este ano prevê a ampliação gradual do benefício, alcançando 20 dias até 2029.

Enquanto a norma nacional não atinge sua plena vigência, corporações como a RHI Magnesita já adotam o período estendido. Kelber Lima Simão, morador de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, vivenciou essa realidade após o nascimento de Ana Júlia. Em depoimento neste domingo (09/08/2026), ele destacou que a licença permitiu um suporte essencial à esposa durante o pós-parto e a construção de uma conexão profunda com a filha.

O engenheiro de segurança do trabalho Fernando Figueiredo de Campos também utilizou os 20 dias de afastamento após o nascimento de Heloísa. Ele ressaltou que a medida vai além do tempo cronológico; é uma oportunidade prática para conhecer a paternidade, participando integralmente da higiene, das vacinas e dos cuidados diários com a criança.

Impacto corporativo e humano

Matheus Oliveira, gerente de Recursos Humanos da RHI Magnesita, explica que a iniciativa, em vigor desde 2019, surgiu de uma proposta do comitê de diversidade. Segundo a empresa, o retorno em engajamento e produtividade é notável. “As pessoas ficam mais felizes quando o ambiente familiar está organizado”, afirmou o gestor, reforçando que a política de acolhimento ainda contempla auxílio-creche e grupos de apoio para pais atípicos.

Para a psicóloga Alessandra Furst, a medida é um divisor de águas. Ela pontua que, ao participar dos primeiros cuidados, o homem desenvolve uma identidade de pai mais sólida, gerando segurança emocional tanto para a criança quanto para a mãe. “O pai se sente pai a partir do momento em que o bebê nasce e essa vivência é insubstituível”, conclui a especialista.

A nova legislação, que visa democratizar esse direito, estenderá a licença-paternidade de forma escalonada: 10 dias em 2027, 15 dias em 2028, chegando a 20 dias em 2029. A norma beneficia, ainda, categorias como MEIs, empregados domésticos e trabalhadores avulsos.

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