RESPEITO NA SAÚDE

Profissional de saúde acusa Magno Malta de agressão no DF Star

Magno Malta internado em hospital no DF Star
Imagem colorida mostra Magno Malta no hospital

Parlamentar é denunciado por tapa no rosto e xingamentos durante exame. Hospital apura e defende colaboradora.

Uma técnica de radiologia registrou um boletim de ocorrência contra o senador Magno Malta (PL-ES) nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, após ser agredida com um tapa no rosto e xingamentos durante um exame no hospital DF Star. A profissional acusa o parlamentar de chamá-la de “imunda” e “incompetente”, enquanto a unidade de saúde já iniciou uma apuração administrativa para investigar o incidente que choca pela desconsideração com a dignidade no ambiente de trabalho e a conduta esperada de uma figura pública.

De acordo com o relato da funcionária à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o senador estava internado para realizar uma angiotomografia de tórax e coronariana. A técnica conduzia o paciente à sala de exames, monitorizava e iniciava os procedimentos necessários, incluindo um teste com soro para acesso venoso.

A profissional explicou que, ao iniciar a injeção de contraste, o equipamento identificou uma oclusão, interrompendo automaticamente o procedimento. Ao verificar a situação, ela constatou o extravasamento do líquido no braço do paciente.

Ainda segundo o depoimento, ao explicar a necessidade de realizar compressão no local afetado, o parlamentar teria reagido de forma agressiva. Malta teria se levantado do aparelho e, ao se aproximar para prestar assistência, a auxiliar foi atingida com um tapa no rosto. A agressividade teria sido tamanha que entortou os óculos da mulher. O senador ainda a teria xingado de “imunda” e “incompetente”.

Assustada após a agressão, a profissional deixou imediatamente a sala e acionou outros integrantes da equipe médica, incluindo uma enfermeira e um médico. No entanto, o senador teria recusado atendimento posterior.

A agressão a um profissional de saúde, no exercício de sua função, é um ato que atenta contra a dignidade humana e a segurança no ambiente de trabalho. A funcionária, abalada pelo ocorrido, relatou dor e vermelhidão no rosto, além do temor de um possível novo encontro com o agressor. O caso foi formalmente registrado e será investigado pela PCDF.

A coluna Na Mira acionou tanto o hospital quanto o senador Magno Malta, questionando sobre a ocorrência registrada. Em nota, o hospital garantiu que tem dado suporte à colaboradora que relatou ter sido vítima de agressão. “A unidade também reitera que está à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários às autoridades envolvidas na investigação do episódio”, afirmou a instituição.

Em sua defesa, o senador alegou que houve falha técnica no acesso, mesmo após alertar, por diversas vezes, que o procedimento estava incorreto e lhe causava fortes dores.

“Diante da situação e da forma como foi tratado, o senador deixou sozinho a sala de exames (estava desacompanhado nesse momento). Ressalta-se que Magno Malta possui dificuldades de locomoção e poderia ter sofrido queda ou agravamento do quadro em razão da desorientação causada pelo episódio, o que evidencia a gravidade e a irresponsabilidade da condução adotada”, disse a nota da assessoria do senador.

Questionado se ele confirmava o tapa que a técnica alega ter sofrido, o senador respondeu, apenas, que só se recordava da dor intensa que sentiu com o extravasamento do contraste.

Internação do senador

O senador foi hospitalizado nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, após passar mal no momento em que seguia para o Congresso Nacional. O parlamentar publicou um vídeo nas redes sociais, afirmando que estava bem e em processo de recuperação.

“Estou no hospital. Acabei de fazer uma tomografia e, graças a Deus, estou bem. Queria estar no plenário para me pronunciar, porque hoje é um dia muito importante. Mas estou bem. Vou voltar mais forte”, disse Magno.

Segundo relato do próprio senador, o mal-estar ocorreu durante o deslocamento até o plenário, onde ocorreu a análise do veto presidencial ao projeto de lei da dosimetria. A proposta trata da possibilidade de revisão de penas aplicadas a condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro.

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