Decisão

Hospital afasta técnica após denúncia contra Magno Malta

Senador Magno Malta em traje formal, fundo desfocado.
O senador Magno Malta (PL-ES), acusado de agressão por uma técnica de radiologia.

Decisão do DF Star protege profissional que acusou senador de agressão em 30 de abril de 2026. Sindicatos pedem apuração e defendem a dignidade da trabalhadora da saúde.

A técnica de radiologia que denunciou ter sido agredida pelo senador Magno Malta (PL-ES) durante um exame foi afastada de suas atividades por recomendação médica, conforme confirmado pelo Hospital DF Star nesta terça-feira, 5 de maio de 2026. A decisão protege a saúde e o bem-estar da profissional, que alegou agressão na quinta-feira, 30 de abril de 2026, reacendendo o debate sobre a segurança de trabalhadores da saúde e a conduta de pacientes em ambientes hospitalares.

Em nota, o Hospital DF Star esclareceu que "a técnica de enfermagem encontra-se afastada de suas atividades por recomendação de seu médico particular", reiterando que a unidade hospitalar adota todas as providências necessárias para colaborar com as autoridades que investigam o incidente.

O episódio, que gerou ampla repercussão, ocorreu quando a servidora conduzia o senador para uma angiotomografia de tórax e coronárias. Durante o procedimento de injeção de contraste, o equipamento sinalizou uma oclusão e interrompeu-se. A profissional então constatou um extravasamento do líquido no braço do parlamentar. Ao tentar explicar a necessidade de compressão no local, a técnica de radiologia relatou que Magno Malta teria reagido de forma agressiva.

Segundo o boletim de ocorrência registrado na mesma quinta-feira, 30 de abril de 2026, o senador teria se levantado do aparelho e desferido um tapa no rosto da profissional, danificando seus óculos. Além da agressão física, ele teria proferido ofensas, chamando-a de “imunda” e “incompetente”. O Hospital DF Star abriu uma apuração administrativa interna para investigar os fatos.

A denúncia mobilizou entidades de classe. O Sindicato dos Técnicos de Enfermagem do Distrito Federal (Sindate-DF) e o Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal (SindEnfermeiro-DF) manifestaram apoio à profissional. O Sindate-DF, em posicionamento cauteloso um dia após o ocorrido, repudiou "qualquer tipo de agressão ou desrespeito contra trabalhadores da saúde" caso as denúncias se confirmem, e garantiu acompanhar o caso com transparência.

Com um tom mais incisivo, o Setorial de Mulheres do SindEnfermeiro-DF condenou o que chamou de "campanha difamatória que tenta invalidar sua dor e profissionalismo". A entidade, em declaração nesta segunda-feira, 4 de maio de 2026, exigiu que a denúncia da técnica de enfermagem seja "credibilizada e sejam tomadas as providências cabíveis pelas entidades de classe, pela Segurança Pública e pelo Judiciário".

Em sua defesa, o senador Magno Malta utilizou as redes sociais, ainda durante sua internação, para negar veementemente as acusações. “Vocês me conhecem. Eu nunca encostei a mão em ninguém, nem nas minhas filhas, nem em nenhuma mulher. Isso é falsa comunicação de crime”, afirmou. Sua equipe jurídica, em nota, complementou que o parlamentar estaria sob forte medicação, com a cognição comprometida, e teria reagido ao sofrimento físico, não à profissional. Ele teria acionado imediatamente o médico responsável por seu acompanhamento. O senador foi hospitalizado após passar mal a caminho do Congresso Nacional.

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