BRASIL CAI NO RANKING

Professor da FIA Business School aponta deficiência na qualificação como freio à competitividade brasileira

Professor Carlos Honorato em entrevista.
Carlos Honorato, professor da FIA Business School, em entrevista à CNN Brasil.

Carlos Honorato, da FIA Business School, detalha os gargalos educacionais, burocráticos e logísticos que impactam a posição do país e a atração de investimentos.

O Brasil amarga uma queda expressiva na competitividade global. O país recuou sete posições e agora ocupa o 65º lugar em um levantamento que avalia 70 nações. Essa escalada negativa acende um alerta crítico sobre a capacidade brasileira de atrair investimentos, gerar negócios e criar empregos sustentáveis.

Em entrevista concedida nesta sexta-feira, 20 de junho de 2026, Carlos Honorato, renomado professor da FIA Business School, analisou que os obstáculos à competitividade nacional se manifestam em diversas frentes. "Os gargalos estão em todas as partes. É difícil a gente não identificar um gargalo", pontuou.

Formação deficiente e burocracia como entraves

Segundo Honorato, um dos problemas centrais reside na formação das pessoas, que transcende a mera qualificação profissional. O especialista enfatizou a carência de uma base educacional robusta em disciplinas fundamentais como matemática, português e linguagem, desde o ensino básico até a etapa de formação técnica.

"A gente tem uma dificuldade básica na questão da produtividade, que é a formação completa no sentido das pessoas terem um bom conhecimento de matemática, de português, de linguagem, desde a formação básica até a formação profissional", explicou o professor.

Além das deficiências educacionais, o especialista citou o excesso de burocracia e os entraves legislativos como fatores que minam o ambiente de negócios. "O Brasil é muito burocrático, tem muitos entraves na questão legislativa, na questão das leis das empresas. Tudo isso vai criando um cenário bastante complexo de competitividade", declarou.

Honorato acrescentou que, no atual cenário de transformações tecnológicas e ascensão da inteligência artificial, a capacidade de articular conhecimento para empregar novas tecnologias é crucial para impulsionar a produtividade.

Informalidade e a ascensão de outros países

Para ele, a principal razão da queda no ranking não é necessariamente uma deterioração absoluta do Brasil, mas sim o avanço acelerado de outras nações. "Os outros estão nos ultrapassando e nós estamos ficando para trás", avaliou. A elevada informalidade no mercado de trabalho brasileiro foi apontada como um fator que dificulta a integração de mão de obra qualificada e a melhoria da capacidade produtiva, mesmo em setores de ponta.

Obstáculos relacionados à logística e à alta carga tributária também foram mencionados como barreiras que limitam o desempenho produtivo nacional.

Ao analisar os países que lideram o ranking — Singapura, Hong Kong, Suíça, Taiwan e Emirados Árabes Unidos —, Carlos Honorato destacou a visão estratégica de longo prazo como um diferencial competitivo. "Singapura começou a olhar para o futuro de forma muito estruturada, com trabalhos de 40 a 50 anos olhando para frente", disse. Ele observou que nações como Suíça e Taiwan investem pesadamente em processos sólidos e na formação de profissionais altamente qualificados.

"Eles têm uma visão estratégica de futuro, onde eles querem chegar, e aqui a gente fica só tentando remendar, corrigir o dia a dia", comparou Honorato.

Soluções de curto prazo passam por pressão política e ação empresarial

Questionado sobre ações de curto prazo, Honorato defendeu a necessidade de pressionar os representantes políticos para que priorizem a formação educacional.

"Nós estamos num ano de eleição, então nós temos que pressionar quem vai para o Congresso, quem vai para o executivo em todas as instâncias, para que tenha um olhar muito mais claro sobre a formação das pessoas", afirmou o professor. Ele também ressaltou a importância do papel ativo das empresas no treinamento de trabalhadores e na criação de ambientes favoráveis à inovação e à produtividade. Apesar dos desafios, Carlos Honorato acredita que o Brasil possui virtudes como criatividade e iniciativa, mas ainda precisa aprimorar o método e a profundidade.

"Se a gente no nosso ambiente, seja privado, seja público, nos esforçarmos para colocar isso para funcionar, por certo conseguimos recuperar um pouco esse atraso", concluiu.

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