MINISTÉRIO E DISCERNIMENTO

Primeiro padre exorcista da Serra do RS assume cargo e enfrenta fila de espera

Padre Daniel D'Agnoluzzo Zatti, o primeiro exorcista da Serra Gaúcha.
O padre Daniel D'Agnoluzzo Zatti foi nomeado pela Diocese de Caxias do Sul para atuar no Ministério do Exorcismo - Foto: Reprodução/ RBS TV

A Diocese de Caxias do Sul nomeou o padre Daniel D'Agnoluzzo Zatti para o Ministério do Exorcismo. O foco é o acolhimento de pessoas, mas casos reais são raros.

A Diocese de Caxias do Sul nomeou, em julho, o padre Daniel D'Agnoluzzo Zatti para assumir o Ministério do Exorcismo. A decisão, inédita na Serra Gaúcha, visa oferecer suporte estruturado a fiéis que buscam a Igreja em momentos de angústia, e o novo responsável pela função já registra uma fila de espera para atendimentos.

O padre Daniel D'Agnoluzzo Zatti esclarece que a criação do ministério atende a uma demanda crescente por explicações para aflições pessoais. "O que gera a necessidade de se ter um padre nomeado para esse ministério é devido ao volume de procura, muitas vezes motivado por sugestões que aparecem na TV e na internet, apontando o sobrenatural como uma explicação fácil para o que a pessoa está vivendo", explica.

Diferente do imaginário popular influenciado pelo cinema, marcado por gritos e cenas dramáticas, a rotina do exorcista é pautada por rigor técnico. Na maioria dos casos, os relatos recebidos estão associados a questões de saúde mental e emocionais, como depressão profunda. "São muitas situações e quadros psíquicos distintos. Às vezes, ouvem barulhos dentro de casa e já acreditam que a explicação é o sobrenatural", observa o sacerdote.

Para garantir a integridade de quem busca ajuda, Daniel D'Agnoluzzo Zatti implementou um protocolo de investigação minucioso. O processo inclui uma equipe multidisciplinar formada por psicólogos e psiquiatras. O ritual de exorcismo é a última instância e, segundo o padre, apenas entre 5% e 10% dos casos chegam a essa etapa. O discernimento segue o rito oficial do Vaticano, de 1998, observando sinais como aversão a símbolos sagrados ou o conhecimento de fatos e idiomas desconhecidos pela pessoa.

Historicamente, relatos de possessão na região são raros. Um dos poucos registros na Serra ocorreu na década de 1940, no Santuário de Caravaggio, em Farroupilha. O padre Teodoro Portolan teria conduzido um ritual de oito horas para libertar uma mulher, episódio que permanece na memória local através de testemunhas como Egídio Viecelli, de 94 anos.

Para o padre Daniel D'Agnoluzzo Zatti, o medo não faz parte de sua missão. Ele define sua atuação como um ato de caridade e misericórdia. "É um meio extraordinário misteriosamente permitido por Deus. O Ministério do Exorcismo se caracteriza, sobretudo, como um ministério de caridade. A pessoa nunca sai pior, ela sempre sai melhor", conclui.

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