DECISÃO SOBRE MEDICINA

Presidente Lula institui exame obrigatório para exercício da medicina

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinando um documento oficial.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina medida provisória no Palácio do Planalto.

Medida provisória assinada por Luiz Inácio Lula da Silva exige aprovação no Enamed para atuação profissional, visando garantir a qualidade da formação médica no Brasil.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou, nesta sexta-feira, 19 de junho de 2026, uma medida provisória que estabelece o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) como requisito obrigatório para o exercício da medicina no Brasil. A decisão visa aprimorar a qualidade da formação dos futuros médicos e a segurança dos pacientes.

Elaborada pelo Ministério da Educação (MEC) em colaboração com o Ministério da Saúde, a medida confere ao Enamed três funções cruciais: avaliação obrigatória durante a graduação em medicina, exame de acesso à residência médica e critério para a habilitação profissional.

A avaliação será aplicada em duas etapas distintas durante o curso. A primeira, prevista para o final do quarto ano, terá caráter diagnóstico e formativo. Já a segunda, ao término da graduação, será eliminatória. A aprovação nesta etapa final será indispensável para a inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM) e, consequentemente, para a obtenção da licença para exercer a profissão médica.

A obrigatoriedade se estenderá aos estudantes que ingressarem em cursos de medicina a partir da data de publicação da medida provisória. Aqueles que não obtiverem o desempenho esperado terão a oportunidade de refazer a prova em edições futuras.

O governo justifica a iniciativa pela necessidade de responder ao expressivo crescimento do número de cursos de medicina nos últimos anos, buscando reforçar os mecanismos de controle da qualidade da formação médica. O secretário da Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Felipe Proenço, destacou que essa expansão ocorreu de maneira acelerada e sem a devida avaliação das necessidades sociais e da capacidade das localidades de absorverem novos cursos. Segundo Proenço, em muitos casos, as vagas foram abertas em municípios que já contavam com faculdades de medicina, sobrecarregando os serviços de saúde e dificultando a identificação de unidades aptas a receber estudantes para atividades práticas, um componente essencial na formação médica.

Dados do Enamed referentes ao ano de 2025 revelaram que, de 39.258 formandos avaliados, aproximadamente 67% atingiram o nível de proficiência considerado adequado, enquanto cerca de 13 mil estudantes não alcançaram o patamar mínimo. Essa estatística indica que um em cada três estudantes de medicina avaliados não estava apto a exercer a profissão.

A medida provisória também estabelece o Enamed como um instrumento para a avaliação dos próprios cursos de medicina. Instituições cujos resultados forem insatisfatórios poderão ser submetidas a medidas regulatórias, como a redução de vagas ou o encerramento de atividades.

Adicionalmente, a nova norma prevê a integração entre o Enamed, o Exame Nacional de Residência (Enare) e o Revalida, este último voltado à validação de diplomas de médicos formados no exterior. Após a assinatura pelo presidente, a medida provisória será submetida ao Congresso Nacional para apreciação e eventual sanção definitiva.

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