SAÚDE PÚBLICA EM ALERTA

Alcoolismo feminino registra recorde e busca por apoio cresce no Brasil

Imagem ilustrativa representando o acolhimento a mulheres em processo de recuperação.
Procura por ajuda especializada cresce diante do aumento do consumo abusivo de álcool entre mulheres no país.

No primeiro semestre de 2026, grupos de apoio registraram uma busca por auxílio a cada hora; consumo episódico pesado atinge 15,9% das mulheres brasileiras.

O consumo abusivo de álcool entre o público feminino brasileiro atingiu patamares inéditos desde o início da série histórica, refletindo um desafio crescente para a saúde pública e a proteção social. No primeiro semestre de 2026, os canais de ajuda do Colcha de Retalhos, uma iniciativa de mulheres integrantes de Alcoólicos Anônimos, registraram 4.862 atendimentos, uma média de um pedido de auxílio por hora.

A necessidade de suporte acompanha a escalada do consumo episódico pesado de bebidas. Segundo análise do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), baseada no Vigitel, a prevalência desse padrão de consumo entre mulheres subiu de 10,4% para 15,9% no período analisado. Paralelamente, o alcoolismo segue gerando impactos severos: em 2023, o Brasil contabilizou 7.696 mortes por transtornos relacionados ao uso da substância e 40.907 internações hospitalares.

Efeito nas trajetórias de vida

A dependência química transborda os indicadores epidemiológicos, afetando diretamente a dignidade e a estrutura familiar das mulheres. Relatos coletados pela iniciativa Colcha de Retalhos revelam um ciclo de isolamento, perda de autonomia financeira e desafios na manutenção de vínculos afetivos. Para muitas, o processo de recuperação só se torna possível após a criação de espaços de escuta seguros, que consideram as especificidades de gênero e as pressões sociais que cercam o alcoolismo feminino.

Barreiras para o tratamento

Embora o Terceiro Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III) estime que 11,9% da população adulta cumpra critérios para diagnóstico de transtorno por uso de álcool, a lacuna de acesso é alarmante: 95,2% dos que necessitam de auxílio nunca buscaram tratamento profissional. O cenário desafia o sistema de saúde a ampliar estratégias de acolhimento e a superar o estigma que impede o acesso à rede de cuidados.

O papel do acolhimento especializado

Atualmente, o grupo mantém 80 reuniões exclusivas para mulheres, incluindo recortes para grupos minoritários, como mulheres negras, bariátricas e homoafetivas. A estratégia foca na identificação mútua, permitindo que as participantes compartilhem vivências em um ambiente de sororidade, essencial para romper o ciclo de recaídas e retomar projetos de vida que foram interrompidos pela dependência.

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