JUSTIÇA EM PAUTA

Presidente do TST explica fala sobre juízes "azuis e vermelhos"

MINISTRO LUIZ PHILIPPE VIEIRA DE MELLO FILHO DURANTE SESSÃO DO CNJ - METRÓPOLES
MINISTRO LUIZ PHILIPPE VIEIRA DE MELLO FILHO DURANTE SESSÃO DO CNJ - METRÓPOLES

O Ministro do TST abordou a repercussão de suas declarações sobre a polarização ideológica da Magistratura do Trabalho, feitas em evento do Conamat na última sexta-feira.

A recente discussão sobre a divisão de juízes em "azuis" e "vermelhos" mobilizou o cenário jurídico, levando o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, a se manifestar publicamente nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026. Ele esclareceu suas declarações polêmicas, que surgiram durante o 22º Congresso Nacional da Magistratura do Trabalho (Conamat) e geraram um amplo debate sobre a imparcialidade e a credibilidade da Justiça do Trabalho, instituição fundamental para a proteção da dignidade dos trabalhadores brasileiros.

A controvérsia iniciou-se quando Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, em sua fala na última sexta-feira, 1º de maio, no evento, abordou a existência de uma suposta polarização ideológica entre os magistrados trabalhistas. Sua explicação, dada na sessão de abertura da Corte nesta segunda-feira, veio em resposta direta ao ministro Ives Gandra, também do TST, que, segundo ele, cunhou a expressão "azuis e vermelhos" em uma palestra anterior, destinada a advogados sobre como atuar no Tribunal Superior do Trabalho.

"Ninguém tem o direito de me acusar de ser ativista ou não ser. Eu tenho a prova documentada de onde começou isso e eu tenho certeza que o ministro Ives (Gandra), na sua dignidade, não vai dizer que não começou neste evento, primeiro encontro, de como atuar no Tribunal Superior do Trabalho", afirmou o presidente do TST. A declaração de Ives Gandra descrevia ministros "liberais e intervencionistas", utilizando as cores para ilustrar as correntes de pensamento.

Apesar da contextualização apresentada pelo presidente do tribunal, a sua manifestação no Conamat foi amplamente interpretada nas redes sociais como uma alusão à polarização política nacional, ligando os termos aos defensores do governo do PT e aos políticos da oposição. Essa leitura gerou apreensão sobre a neutralidade do Judiciário e a potencial influência de ideologias na aplicação da lei trabalhista, um campo sensível que afeta diretamente a vida de milhões de pessoas.

O 22º Congresso Nacional da Magistratura do Trabalho, realizado em Brasília, reuniu mais de 300 participantes para debater temas cruciais como a sustentabilidade, a inteligência artificial (IA) e o trabalho protegido. A fala de Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, nesse contexto, chamou a atenção para a necessidade de manter a Justiça do Trabalho independente e focada em sua missão original.

O presidente do TST reforçou o compromisso da instituição: "A minha manifestação no evento público foi no sentido de dizer que eu sou um defensor dessa justiça. Essa justiça foi construída em um país desigual por força de uma luta social na defesa, na tutela e na proteção de trabalhadores brasileiros", ressaltou. Sua declaração visa reiterar a importância de uma Justiça do Trabalho autônoma e protetiva em um país marcado por grandes desigualdades sociais.

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