CRÍTICA AO ACORDO
Presidente da CNI critica acordo entre Motta e Lula sobre jornada de trabalho e o classifica como eleitoral
Ricardo Alban, líder da CNI, argumenta que o prazo de 60 dias para adaptação das empresas à nova jornada de trabalho é irrealista e tem viés eleitoral, prevendo aumento de custos para o consumidor.
{"blocks":[{"key":"5o200","text":"Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), classificou o recente acordo entre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente Lula sobre o fim da escala 6x1 como uma medida de cunho "estritamente eleitoral". A declaração foi feita nesta terça-feira, 26/05/2026, após o anúncio que prevê a redução da jornada de trabalho. ","type":"paragraph"},{"key":"9013s","text":"Alban criticou o curto prazo de 60 dias estabelecido para que as empresas se adaptem às novas regras. Ele argumenta que esse período é insuficiente para que negócios, especialmente os de pequeno e médio porte, consigam realizar os ajustes necessários na contratação de mão de obra, na reestruturação de equipes ou na aquisição de novas tecnologias. "Dar 60 dias depois de promulgar para entrar em vigor é uma assinatura mais do que clara de que o motivo é estritamente eleitoral. Não há preocupação com o real benefício. Uma conquista efetiva para o trabalhador precisaria ser discutida melhor", declarou o líder da CNI. ","type":"paragraph"},{"key":"2k55i","text":"Segundo o presidente da CNI, a proposta, construída de forma "açodada", pode resultar em um aumento de preços para o consumidor final devido à falta de tempo para que as empresas absorvam as mudanças. "Em 60 dias, você contrata mão de obra onde? Nós não temos. Em 60 dias, você ajusta a produtividade de que forma, sem avanço tecnológico da noite para o dia? O que vai acontecer é repasse de preço", alertou Alban. ","type":"paragraph"},{"key":"5g8p9","text":"O setor produtivo, conforme relatado por Alban, defendia uma transição mais gradual na redução da carga horária semanal, com um período de adaptação de pelo menos um ano, estendido ao longo de quatro anos. "Nós conversamos muito sobre uma transição entre 44 e 40 horas, com pelo menos um ano de adaptação. Mesmo assim, ao longo de quatro anos. Agora, em 60 dias, como pequenas e médias empresas vão se planejar? Vão recorrer a hora extra para cobrir a demanda", questionou. ","type":"paragraph"},{"key":"6n2d0","text":"Apesar das críticas quanto ao método e ao prazo, Alban ressaltou que o setor produtivo não se opõe ao debate sobre o fim da escala 6x1. "O setor produtivo não é contra o 6x1. O problema é a falta de compromisso com o futuro nesse açodamento", afirmou. ","type":"paragraph"},{"key":"9f171","text":"O presidente da CNI informou que buscará diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e outros parlamentares para discutir a questão. "Vamos fazer essa luta e esse esforço com os senadores. Ver se a gente consegue, em um universo de 81 senadores, que entendam o que estamos falando. Vamos discutir isso sem o flash, sem o açodamento da eleição. Porque o motivo que está na mesa é eleitoral", declarou. ","type":"paragraph"},{"key":"7t4v5","text":"O acordo anunciado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, após reunião com Lula na segunda-feira (25/5), prevê que a redução da jornada possa ser implementada em até 14 meses. A proposta inicial inclui uma redução imediata de duas horas na carga horária em até 60 dias após a promulgação da PEC, seguida por mais duas horas de redução em até 12 meses subsequentes. ","type":"paragraph"}]}
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