BRASIL EM ALERTA
Presidente da CNI alerta para perda de competitividade crescente do setor produtivo brasileiro
Ricardo Alban, da Confederação Nacional da Indústria, expressa preocupação com o 'Custo Brasil' e a migração de empresas para países vizinhos. Oportunidades comerciais com a UE são vistas com cautela.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, manifestou profunda preocupação com a contínua perda de competitividade do setor produtivo brasileiro. Em entrevista à CNN Brasil, ele ressaltou que o ambiente de negócios no país segue prejudicado pelo "Custo Brasil", um conjunto de entraves estruturais, burocráticos e econômicos que, somados à alta carga tributária e à dificuldade de avanço tecnológico, minam a força da indústria nacional.
Alban compartilhou suas observações após visitas recentes aos Estados Unidos, Alemanha, Itália e China. Nessas viagens, ele percebeu uma "perda de competitividade crescente" do Brasil diante de outras economias. Apesar de o país ainda deter vantagens estratégicas, especialmente no setor energético, a situação exige atenção para evitar a deterioração do cenário industrial.
O presidente da CNI também comentou sobre a expectativa em relação à ampliação das relações comerciais entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Ele considera essa aproximação uma oportunidade relevante para a abertura de novos mercados, mas alertou para a necessidade de que esses acordos permitam a inserção de cadeias produtivas brasileiras, promovendo um cenário de "ganha-ganha" onde parte do valor agregado seja realizado no Brasil. "Ao mesmo tempo, o Mercosul com a UE nos possibilita uma abertura de mercado significativa. Mas precisa ser um mercado em que possamos introduzir cadeias produtivas em determinados setores, em uma espécie de ganha-ganha, onde possamos agregar parte do valor aqui e outra parte em nossos concorrentes", explicou.
Apesar do potencial de crescimento, empresários brasileiros apontam que o país enfrenta desafios consideráveis para competir em nível global. Entre os obstáculos mais citados estão os elevados custos de produção, com destaque para a energia, além do impacto da pesada carga de encargos sociais e fiscais. Essa conjuntura tem levado empresas a migrarem suas operações para países vizinhos, em busca de condições mais favoráveis. "Nós estamos trabalhando contra a corrente", lamentou Alban, evidenciando a urgência de medidas que revertam esse quadro.
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