VOLATILIDADE NOS GRÃOS

Mercado de grãos apresenta alta no milho e soja com demanda aquecida

Plantação de grãos sob o sol em área rural brasileira.
Colheita de grãos no Brasil enfrenta cenário de volatilidade nos preços de mercado.

Enquanto milho e soja mantêm preços elevados pela forte demanda, o trigo enfrenta redução na área plantada e aumento da dependência de importações.

O mercado de grãos brasileiro atravessa um período de volatilidade marcado por comportamentos distintos entre as principais culturas, impactando a economia agrícola e o custo final dos alimentos. A dinâmica de preços é definida por um equilíbrio delicado entre o aumento da oferta, a valorização cambial e as necessidades de importação, conforme apontado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP).

As cotações do milho seguem em patamares elevados apesar das estimativas de uma safra recorde em 2025/26. Este cenário evidencia que, para o setor, o crescimento na produção interna não tem sido suficiente para pressionar as cotações para baixo, mantendo o custo do insumo em alta no mercado doméstico.

Paralelamente, a soja reflete a disputa acirrada entre consumidores internos e compradores estrangeiros. A valorização do dólar frente ao real aumentou a atratividade do produto brasileiro no exterior, intensificando a concorrência pelo grão disponível. Dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reforçam essa sustentação: a relação entre estoque e consumo mundial deve cair para 33,5% na safra 2025/26, o menor nível desde 2022/23, pressionando os preços para cima devido à demanda crescente.

O cenário para o trigo, no entanto, segue uma lógica de vulnerabilidade. Com a menor área cultivada no Brasil desde 2017, a oferta interna será insuficiente para atender às necessidades do país na temporada 2026/27. Projeções indicam que o Brasil deverá importar 7,5 milhões de toneladas entre outubro de 2026 e setembro de 2027, posicionando a nação como o quarto maior importador mundial, atrás de Egito, Indonésia e Argélia.

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