ESCADA LABORAL EM DEBATE
Presidente da CACB alerta para risco econômico e inflação com fim da escala 6x1
Alfredo Cotait, da CACB, defende flexibilização e critica prazo de transição, prevendo aumento de custos para o consumidor.
A discussão sobre o fim da escala 6x1, que determina a jornada de trabalho, retornou ao centro do debate econômico e trabalhista no Brasil. Em entrevista ao CNN 360º, Alfredo Cotait, presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), alertou, nesta sexta-feira, 12/06/2026, para os riscos econômicos da proposta aprovada na Câmara dos Deputados e defendeu uma abordagem mais flexível para a reforma da jornada de trabalho. A entidade não se opõe a mudanças, mas considera que o texto aprovado impõe restrições excessivas que podem prejudicar diversos setores. "A proposta que foi aprovada na Câmara engessa de tal forma que vai prejudicar uma série de setores que precisariam ser examinados com um pouco mais de cuidado", afirmou Cotait.
Proposta de PEC como alternativa
Como alternativa, Cotait destacou a PEC apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL). Segundo o presidente da CACB, esta PEC flexibiliza a jornada de trabalho sem retirar os direitos garantidos pela CLT. "Essa PEC vem a calhar porque ele flexibiliza o horário de trabalho, a jornada de trabalho, sem que o trabalhador perca os seus direitos na CLT", explicou. Na visão da entidade, o modelo ideal permitiria que o trabalhador definisse quantas horas deseja trabalhar, recebendo proporcionalmente.
O representante do setor empresarial ressaltou ainda que a proposta de jornada flexível seria de aplicação imediata, baseando-se no princípio de que "o negociado prevalece sobre o legislado", conforme estabelecido pela reforma trabalhista anterior. Isso permitiria maior autonomia para negociações diretas entre empregadores e empregados.
Preocupação com risco econômico e impacto nos preços
Um dos pontos centrais abordados por Cotait foi a preocupação com os efeitos econômicos da extinção da escala 6x1 nos moldes propostos pela Câmara. Ele alertou que o aumento dos custos trabalhistas seria inevitavelmente repassado aos preços ao consumidor, gerando pressão inflacionária. "A gente está muito preocupado com o risco econômico, porque quem vai pagar a conta são os próprios trabalhadores e a sociedade civil em geral, porque vai haver um aumento de custos", disse. "Todo aumento de custos de mão de obra é repassado para preço. Provavelmente vai ter uma inflação, e isso vai ser pago pela sociedade."
Cotait identificou os setores de comércio e serviços como os mais vulneráveis às mudanças. Estes setores frequentemente dependem de escalas variadas que não se encaixam no modelo 5x2. Exemplos citados incluem restaurantes, que poderiam enfrentar dificuldades para contratar a mão de obra necessária em horários de pico, e condomínios, que teriam de reorganizar suas equipes de trabalho integralmente.
Período de transição insuficiente
Outra crítica levantada por Cotait foi o prazo de transição previsto na proposta da Câmara. Para ele, os dois meses estipulados são insuficientes para que as empresas possam se adaptar às novas regras. "Os dois meses que eles estão colocando é muito pouco. Eu acho que teria que ter uma certa transição paulatina um pouco mais longa para que as empresas pudessem se adaptar." Cotait também ponderou que o momento atual, próximo às eleições, não seria o mais adequado para avançar com a discussão, reiterando, contudo, o apoio da entidade a um debate mais amplo e cuidadoso sobre o tema. "Somos a favor da discussão, quem sabe num outro momento", concluiu.
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