ECONOMIA E SOCIEDADE
Trabalho por aplicativo nos EUA eleva dependência de assistência social
Relatório do GAO aponta que prestadores de serviços de plataformas dependem cada vez mais de auxílios governamentais, como o SNAP e o Medicaid.
As plataformas digitais de prestação de serviços, como DoorDash, Lyft e Uber, consolidaram-se como fontes cruciais de subsistência para milhares de trabalhadores, mas os ganhos obtidos nessas atividades muitas vezes não suprem as necessidades básicas das famílias. Esse cenário foi evidenciado por um relatório do Government Accountability Office (GAO) divulgado em 2025, que posiciona essas empresas entre os maiores empregadores com trabalhadores dependentes do Supplemental Nutrition Assistance Program (SNAP).
A situação revela um deslocamento socioeconômico em comparação a 2020, quando o topo desse ranking era ocupado por corporações como Walmart e McDonald’s. Embora o discurso corporativo enfatize a liberdade e a flexibilidade de horários, a realidade de grande parte dos prestadores de serviço é marcada pela vulnerabilidade financeira. Estudo realizado com 1 mil moradores de Michigan indica que, para cerca de metade dos envolvidos em trabalhos por aplicativo, essa renda é essencial para a sobrevivência.
A ausência de benefícios tradicionais — como seguro-saúde e proteção contra acidentes — empurra esses profissionais para a rede de proteção pública. O levantamento do GAO aponta que o número de trabalhadores dessas plataformas inscritos no Medicaid cresceu expressivamente. O desafio torna-se ainda mais crítico diante das mudanças normativas implementadas em 2025 pelo governo de Donald Trump, que passou a exigir a comprovação de 80 horas mensais de trabalho para a manutenção de benefícios, criando barreiras burocráticas para quem atua de forma intermitente.
Especialistas debatem alternativas para mitigar essa dependência, como o modelo de benefícios portáteis. Experiências como o Black Car Fund, em Nova York, sugerem que a criação de fundos de proteção financiados por tarifas adicionais nas corridas pode aliviar o ônus dos contribuintes, transferindo a responsabilidade da seguridade para o ecossistema do serviço, garantindo maior dignidade aos trabalhadores sem comprometer a flexibilidade do modelo.
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